Ex-colaborador de campanha denuncia prefeito por exploração sexual de adolescentes no Piauí
Ex-colaborador denuncia prefeito por exploração sexual de adolescentes

Ex-membro de campanha acusa prefeito de exploração sexual de adolescentes no Piauí

Liedson Alves, antigo integrante da equipe de campanha do prefeito de Pio IX, Silas Noronha (PSD), que denunciou um suposto esquema de exploração sexual de adolescentes envolvendo o gestor municipal, deve responder ao processo em liberdade. A informação foi confirmada pela defesa do denunciante à TV Clube, revelando detalhes perturbadores sobre o caso que abalou a cidade piauiense.

Colaboração com a Justiça garante liberdade ao denunciante

Segundo o advogado Danilo Marques, Liedson Alves teria atuado como colaborador da Justiça após ingressar em uma "espécie de delação premiada", o que permitiria que ele respondesse ao processo sem prisão preventiva. O ex-colaborador era responsável por atrair adolescentes em troca de um salário mínimo, conforme as acusações apresentadas.

Durante a organização das provas, a defesa identificou pelo menos quatro adolescentes que teriam sido aliciadas apenas no município de Pio IX. O advogado afirmou ainda que existem indícios de que possam haver vítimas em outras cidades da região, ampliando o alcance das investigações.

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Prefeito é alvo de CPI e investigação policial

O prefeito Silas Noronha está sendo investigado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de Vereadores de Pio IX, instaurada após as denúncias de exploração sexual de adolescentes feitas por Liedson através de vídeos divulgados nas redes sociais em 22 de março. Além da CPI, o gestor já era alvo de um inquérito aberto pela Polícia Civil do Piauí, através da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

A delegada Rosa Chaib, da DPCA, informou que o processo corre em segredo de justiça, limitando o acesso a detalhes específicos. Em nota divulgada nas redes sociais, o prefeito Noronha classificou as acusações como "caluniosas, totalmente inverídicas e sem qualquer fundamento", alegando sofrer perseguição política.

Detalhes chocantes das denúncias

Liedson Alves utilizou as redes sociais e compareceu pessoalmente à Câmara de Vereadores para denunciar o suposto esquema de aliciamento de adolescentes com idades entre 13 e 14 anos. Segundo suas declarações, os casos teriam iniciado após as eleições municipais, embora não haja confirmação sobre a duração exata das atividades.

O presidente da Câmara de Pio IX, vereador Maykon Alencar (PSD), confirmou que as atividades da CPI começaram em 31 de março. Os parlamentares deverão reunir depoimentos de testemunhas e acusados, produzindo ao final um relatório com sugestões de medidas a serem adotadas.

Relato detalhado do denunciante

Em uma série de vídeos, Liedson descreveu o esquema no qual era responsável por atrair adolescentes para o prefeito em troca de um salário mínimo. Ele relatou que recebeu a proposta de Silas Noronha logo após as eleições, período em que produzia conteúdo para as redes sociais do candidato à reeleição.

"O prefeito falou que, para eu ter renda e ele continuar me pagando, ele ia aumentar o salário, mas para isso eu tinha que levar meninas pra ele. Sempre do mesmo perfil: menores de idade e do meu convívio, nada de meninas mais velhas", afirmou Liedson em seus depoimentos.

De acordo com o denunciante, as garotas eram geralmente filhas de pessoas alinhadas à prefeitura, como familiares de gestores ou políticos. Ele mencionou ainda que um sobrinho do prefeito também participaria do esquema, ampliando a rede de envolvidos.

Valores envolvidos e ameaças

Em um dos vídeos, Liedson afirmou que uma das adolescentes que aceitou ir a um motel com Silas Noronha teria recebido cerca de R$ 1 mil no primeiro encontro. No entanto, segundo o denunciante, a vítima foi ameaçada de morte quando tentou expor a situação pela qual passou com o gestor municipal.

Liedson expressou arrependimento em suas declarações: "Sei que errei, mas tinha a questão financeira. Havia necessidades, larguei tudo para ficar com o prefeito e fui enganado, coagido. Várias vezes cobrei emprego, disse que não queria mais fazer isso. Estou extremamente arrependido".

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O caso continua sob investigação, com a CPI da Câmara de Vereadores e a Polícia Civil do Piauí atuando paralelamente para apurar todas as denúncias. A defesa do prefeito mantém a posição de que se trata de acusações infundadas com motivação política, enquanto as autoridades buscam esclarecer os fatos em meio ao sigilo judicial que envolve o processo.