Diretor de presídio em SC é preso por receber picanha em troca de benefícios a detento
Diretor de presídio preso por receber picanha por benefícios a detento

Diretor de presídio catarinense é preso em operação que investiga troca de benefícios por picanha

O diretor do Presídio Masculino de Lages, em Santa Catarina, foi preso na quinta-feira, 26 de setembro, durante a Operação Carne Fraca, deflagrada pelo Ministério Público estadual. Rodrigo Barroso, que também atua como policial penal, é investigado por supostamente conceder benefícios ilegais a um detento em troca de vantagens materiais, incluindo a entrega reiterada de picanha e outras carnes nobres.

Investigação aponta relação estável de reciprocidade com detento

Segundo as investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e pelo Grupo Especial Anticorrupção (GEAC), o servidor público teria estabelecido uma relação pessoal e funcional com a companheira do apenado, caracterizando um contexto contínuo de trocas. As vantagens materiais e pessoais seriam compensadas com benefícios administrativos concedidos ao detento, configurando uma utilização indevida da função pública para atender interesses privados.

O Ministério Público destacou que o nome da operação, Carne Fraca, foi escolhido por "remeter ao conjunto de vantagens indevidas identificadas no curso da investigação, especialmente à entrega reiterada de carnes nobres ao agente público". Além disso, o órgão ressaltou que a denominação simboliza "a fragilidade ética evidenciada nas condutas apuradas, nas quais a função pública teria sido vulnerabilizada por interesses privados".

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Prisão preventiva e afastamento imediato do cargo

Rodrigo Barroso passou por audiência de custódia na tarde de quinta-feira e permanecia preso na sexta-feira, 27 de setembro. A defesa do diretor informou que ainda não teve acesso aos autos principais do caso e, portanto, não apresentará um parecer sobre os fatos no momento.

A Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (Sejuri) de Santa Catarina confirmou o afastamento imediato do servidor de suas funções, conforme decisão judicial. Paralelamente, a pasta anunciou a instauração de uma Comissão de Intervenção Prisional Administrativa (CIPA) no Presídio Masculino de Lages, com o objetivo de investigar outras áreas da administração da unidade e assegurar o cumprimento das normas e protocolos institucionais.

Crimes investigados e medidas administrativas

As suspeitas de irregularidades abrangem o período entre março e outubro de 2025. Além do crime de corrupção, a investigação apura a violação do sigilo funcional e a prática de advocacia administrativa. Durante a ação policial, os investigadores apreenderam uma peça de picanha no cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão.

Em nota oficial, a Sejuri reforçou que "não compactua com qualquer desvio de conduta por parte de seus servidores" e que atua permanentemente para garantir a legalidade, a transparência e a integridade no sistema prisional catarinense. A secretaria afirmou que permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e adotará todas as medidas administrativas cabíveis dentro de sua competência.

As investigações continuam tramitando em sigilo, conduzidas por uma força-tarefa que reúne membros do Ministério Público e das forças de segurança do estado de Santa Catarina, buscando esclarecer completamente as circunstâncias deste caso que envolve o abuso de autoridade no sistema carcerário.

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