Denúncia de assédio contra ministro do STJ ganha força com confirmação de testemunhas
O caso envolvendo o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ganhou novos contornos após duas testemunhas confirmarem, em depoimentos ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), as acusações de assédio apresentadas por uma ex-assessora terceirizada. Os funcionários, que também atuaram no gabinete de Buzzi, relataram ter ouvido diretamente da colega os detalhes dos episódios que teriam ocorrido durante o exercício de suas funções.
Depoimentos detalham episódios de investidas físicas e psicológicas
Em vídeos obtidos com exclusividade pelo Radar, uma técnica judiciária descreveu como percebia a servidora nervosa e aflita, até que um dia ela pediu para fazer um desabafo reservado. "Ela falou que em alguns desses momentos ele apalpou ela, segurou o braço dela. Ela tentou se desvencilhar, mas ele segurou o pulso dela. Aí ela falou que ele tocou no corpo dela e ela conseguiu se afastar", narrou a técnica em seu depoimento.
A testemunha ainda acrescentou que a vítima relatou outro caso de assédio, afirmando que os episódios aconteciam com um intervalo de alguns meses. "Teve uma outra vez que senti que ela não estava bem e ela (contou): 'aconteceu de novo'. Ela falou uma vez que acontecia um episódio, passava uns três, quatro meses, ficava tudo tranquilo, sem nenhum tipo de problema. E aí depois acontecia de novo", completou.
Funcionário relata "avanço além do normal" e impactos na saúde da vítima
Já um secretário que também prestou depoimento ao CNJ disse ter ouvido relatos da colega sobre um "avanço além do normal" por parte do ministro Buzzi. "No princípio, ela não (detalhou). Mas depois ela chegou a comentar algumas coisas. Sobre elogios, sobre, como eu posso dizer, algum avanço além do normal", afirmou o funcionário.
O depoente ainda destacou que a ex-assessora associou os episódios a problemas de saúde desencadeados pela situação. "Vários episódios. Inclusive ela associava isso com alguns problemas de saúde desencadeados", acrescentou. Para evitar um contato maior com o ministro, a servidora teria pedido para não exercer a função de assessoria no plenário, mesmo em caráter de substituição.
Contexto do caso e posição do ministro
Marco Buzzi está atualmente afastado do STJ e é alvo de investigações tanto no Supremo Tribunal Federal (STF) quanto no CNJ, não apenas por esta denúncia, mas também por outra acusação de assédio. O ministro, por sua vez, nega todas as acusações apresentadas contra ele.
Os depoimentos das testemunhas reforçam a gravidade das alegações e podem influenciar significativamente o andamento das investigações. O caso tem chamado a atenção para questões de assédio no ambiente de trabalho dentro do Poder Judiciário, levantando debates sobre a necessidade de mecanismos mais eficazes de proteção às vítimas.



