Delação premiada de Beto Louco e Primo revela propina de R$ 400 milhões a políticos
Delação de foragidos aponta propina de R$ 400 milhões a políticos

Delação premiada de foragidos revela propina bilionária a políticos e autoridades

Os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, ambos foragidos da Justiça, apresentaram um extenso material que aponta o pagamento de propina de R$ 400 milhões a políticos e autoridades brasileiras. Este pedido de delação premiada, no âmbito da investigação que apura um esquema de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, corrupção e fraudes no mercado de combustíveis, está atualmente parado na Procuradoria-Geral da República (PGR).

Processo estagnado na PGR desde outubro

O blog apurou que o processo referente à colaboração premiada dos dois empresários, principais alvos da Operação Carbono, encontra-se na PGR desde outubro do ano passado, sem avanços significativos. As fontes indicam que o material apresentado às autoridades é robusto, incluindo:

  • Documentos oficiais
  • Mensagens de celular
  • Gravações de áudio
  • Comprovantes de pagamento

Essas evidências confirmariam uma rede de corrupção ativa entre 2022 e 2024, com pagamentos destinados a:

  1. Evitar a cassação de licenças do grupo empresarial
  2. Obter vantagens tributárias ilegais
  3. Garantir acesso privilegiado à Agência Nacional de Petróleo (ANP)

Investigação sobre vazamento da operação

Além disso, o material entregue à PGR e à Polícia Federal (PF) também contém informações cruciais sobre o vazamento da Operação Carbono. No dia da megaoperação, a PF conseguiu prender apenas 6 das 14 pessoas com mandados de prisão decretados, o que levou a cúpula da corporação a abrir um inquérito para investigar possíveis vazamentos de informações.

Negociações avançadas em São Paulo

Enquanto o processo na PGR permanece estagnado, no Ministério Público de São Paulo as negociações para uma delação premiada estão em estágio avançado. Há previsão de homologação pela Justiça paulista em até 60 dias, indicando um possível desfecho mais rápido nessa esfera estadual.

Fragilidade dos indícios segundo a PGR

Contudo, fontes da PGR revelaram que a instituição considerou os indícios apresentados por Beto Louco e Mohamad Hussein Mourad como frágeis para sustentar uma colaboração premiada federal. Essa avaliação pode explicar a paralisação do processo, embora os detalhes específicos não tenham sido divulgados publicamente.

Posicionamento das partes envolvidas

A Procuradoria-Geral da República emitiu uma nota afirmando que não comenta supostos acordos de colaboração, pois tais procedimentos são, por natureza, sigilosos, conforme a Lei 12.850/2013. Por outro lado, a defesa dos empresários Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva ainda não se manifestou sobre o caso, mesmo após solicitação de posicionamento.

Este caso destaca os desafios na investigação de esquemas de corrupção de grande escala no setor de combustíveis, envolvendo figuras foragidas e alegações de vazamentos que comprometem operações policiais. A sociedade aguarda o desenrolar das investigações tanto no âmbito federal quanto estadual para esclarecer os fatos e responsabilizar os envolvidos.