Controlador do Master diz à PF que diretoria do BC apoiava solução de mercado
Controlador do Master afirma que BC apoiava solução de mercado

Em depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, revelou que a diretoria de fiscalização do Banco Central apoiava uma solução de mercado para a instituição financeira até um determinado momento. No entanto, segundo ele, forças internas dentro do BC queriam a saída do Master do setor e acabaram vencendo, resultando em um cenário de caos que se instalou no país.

Contexto da investigação e depoimento

O depoimento foi concedido em 30 de dezembro, no Supremo Tribunal Federal, e antecedeu uma acareação entre Vorcaro e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. A investigação é conduzida pelo ministro Dias Toffoli, que destacou a importância dos depoimentos para o sucesso das apurações e a proteção do sistema financeiro nacional.

Declarações de Vorcaro sobre o acompanhamento do BC

Vorcaro afirmou à delegada Janaína Palazzo que ficou surpreso com a ordem de prisão, pois o Banco Central acompanhava toda a operação de venda do Master ao BRB. Não tinha nada que acontecesse no banco que o Banco Central não acompanhasse ou que não soubesse, declarou o controlador, enfatizando a supervisão diuturna das operações.

Ele detalhou que o BC foi informado sobre cada passo, incluindo negócios envolvendo carteiras de crédito consignado da empresa Tirreno. Após uma notificação em março para esclarecer questões sobre contratações, o Master entregou explicações e não recebeu mais comunicações sobre irregularidades, o que, segundo Vorcaro, indicava a ausência de problemas reais.

Divisão interna no Banco Central

O banqueiro argumentou que havia uma divisão interna no BC: alguns setores buscavam uma solução de mercado, enquanto outros desejavam o desfecho que ocorreu, culminando em sua prisão em 17 de novembro. Essa falta de clareza, segundo ele, gerou dúvidas sobre as motivações por trás das ações.

Posição do Banco Central e próximos passos

O Banco Central, por meio de sua diretoria de fiscalização liderada por Ailton de Aquino, foi responsável por identificar inconsistências no Master e comunicar supostos ilícitos ao Ministério Público Federal. Quando procurado para comentar as declarações de Vorcaro, o BC optou por não se manifestar.

A Polícia Federal continuará as investigações, ouvindo outros oito envolvidos na Operação Compliance Zero nas próximas segunda e terça-feiras. Esses depoimentos são considerados cruciais para elucidar os fatos e garantir a integridade do sistema financeiro.

Em resumo, o caso expõe tensões internas no Banco Central e levanta questões sobre a transparência e coordenação nas ações regulatórias, com impactos significativos para o setor bancário brasileiro.