Clima de Lava-Jato por casos Master e INSS ameaça campanha de reeleição de Lula
Clima de Lava-Jato por Master e INSS ameaça campanha de Lula

Clima de Lava-Jato por casos Master e INSS ameaça campanha de reeleição de Lula

Líderes do Partido dos Trabalhadores e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nunca imaginaram que a campanha para sua reeleição seria tranquila. Pelo contrário, sempre trabalharam com a perspectiva de uma disputa tão acirrada quanto a de 2022, quando o petista derrotou Jair Bolsonaro no segundo turno por uma margem inferior a dois pontos percentuais. A dificuldade em elevar a aprovação do governo acima da desaprovação, a alta rejeição a Lula e, mais recentemente, o crescimento nas pesquisas do opositor Flávio Bolsonaro ajudam a explicar essa análise e — a partir dela — as preocupações crescentes dos governistas com a próxima disputa eleitoral.

Quadro eleitoral se complica com avanço das investigações

O cenário, que já era complexo, tornou-se ainda mais desafiador com o avanço significativo das investigações sobre os casos do Banco Master e do esquema de desvio de valores bilionários de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social. Em conversas reservadas, um dos mais importantes quadros da esquerda tem alertado que os escândalos em curso estão criando um clima reminiscente da Operação Lava-Jato e que, se nada for feito para conter as apurações, o governo ficará progressivamente mais acuado.

Este líder argumenta que, mesmo que eventualmente se comprove que o presidente não tem responsabilidade direta pelas fraudes no Master e no INSS, a tendência natural da população é culpar o governante em exercício pelo que está sendo amplamente noticiado. No caso atual, isso recairia sobre Lula. O resultado potencial seria uma transferência significativa de votos para adversários políticos, alterando o equilíbrio da corrida eleitoral.

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Risco de abertura para candidato outsider

Segundo esta mesma fonte da esquerda, o clima de Lava-Jato não beneficiaria necessariamente Flávio Bolsonaro, que poderia ser visto pelo eleitorado como um político tradicional, parte do mesmo sistema acusado de surrupiar segurados do INSS e facilitar o enriquecimento ilícito de banqueiros bem relacionados. As investigações atuais poderiam, na verdade, abrir espaço mais uma vez para um candidato outsider, como ocorreu com Jair Bolsonaro em 2018.

O interlocutor petista chegou a mencionar o nome de Renan Santos, presidente do partido Missão e ex-integrante do Movimento Brasil Livre, que atualmente aparece nas últimas colocações das pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República. Esta possibilidade gera apreensão nos círculos governistas, que temem uma repetição do fenômeno que levou um candidato inicialmente considerado azarão a conquistar a chefia do Executivo.

Lições amargas do passado

Quando a Operação Lava-Jato ganhou as ruas em 2014 e adquiriu tração nos anos seguintes, conselheiros da então presidente Dilma Rousseff minimizaram o problema, argumentando que o escândalo afetaria principalmente o Congresso Nacional, deixando-o de joelhos diante da petista. A presidente, portanto, sairia fortalecida. Um tremendo erro de avaliação histórica.

Com a Lava-Jato em seus calcanhares, Lula, na época ex-presidente, reuniu-se com líderes do Congresso para argumentar que era preciso deter a operação, que estaria criminalizando a política de maneira excessiva. Já emissários de Dilma, quando perceberam a encrenca subindo a rampa do Palácio do Planalto, tentaram costurar um acordo político para que ela e parlamentares — incluindo o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha — se salvassem, mas a estratégia não obteve sucesso.

O desfecho é conhecido: Dilma Rousseff sofreu impeachment, Lula e Eduardo Cunha foram presos, e o resto da história marcou profundamente a política brasileira. Diante deste precedente traumático, líderes do PT e assessores diretos do presidente querem que ele entre em campo imediatamente para conter a sangria política causada pelos casos do Master e do INSS.

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Pressão por ação presidencial

Os aliados do governo afirmam que autoridades dos Três Poderes estão atualmente acuadas, sem força política suficiente para reagir de maneira coordenada. Caberia, portanto, a Lula tomar a dianteira e tentar exercer algum controle sobre o andamento das investigações da Polícia Federal, com o objetivo declarado de impedir que todos os envolvidos — inocentes e culpados — sejam colocados no mesmo balaio pela opinião pública.

Se não adotar medidas nesse sentido, o presidente corre o risco concreto de ser penalizado nas urnas em 2026. De ser responsabilizado pelo eleitorado mesmo que investigações futuras comprovem que não se envolveu pessoalmente nas falcatruas. E, principalmente, de permitir que um candidato azarão dispare na reta final da corrida presidencial, aproveitando-se do desgaste gerado pelos escândalos em investigação.

O clima político em Brasília permanece tenso, com o governo monitorando diariamente os desdobramentos das apurações enquanto prepara sua estratégia de campanha em um ambiente marcado pela incerteza e pelo fantasma da Lava-Jato.