Julio Casares renuncia à presidência do São Paulo após impeachment e operação policial
Casares renuncia ao São Paulo após impeachment e operação policial

Presidente do São Paulo renuncia após impeachment e operação policial

Julio Casares renunciou oficialmente à presidência do São Paulo Futebol Clube nesta quarta-feira (21), apenas cinco dias após o Conselho Deliberativo do clube aprovar a abertura do processo de impeachment que já o havia afastado do cargo. A decisão ocorre no mesmo dia em que a polícia realizou uma operação contra a venda ilegal de camarotes no estádio do Morumbi – um dos episódios que motivaram o pedido de afastamento do agora ex-presidente.

Carta aberta nega irregularidades e cita ameaças familiares

Em carta aberta publicada em suas redes sociais, Casares foi enfático ao afirmar que sua renúncia “não representa confissão, reconhecimento de culpa ou validação das acusações” que lhe foram dirigidas. O ex-presidente explicou que a decisão foi tomada pela “necessidade de preservar minha saúde e, sobretudo, de proteger minha família de ataques e ameaças gravíssimas”.

Casares descreveu um ambiente de intensa instabilidade institucional no clube nos últimos meses, marcado por “ataques reiterados, narrativas distorcidas e pressões externas que extrapolaram o debate institucional legítimo”. Ele criticou o que chamou de “versões frágeis e boatos” que teriam sido transformados em verdades aparentes sem fundamentação consistente.

Operação policial expõe esquema de camarotes no Morumbi

Paralelamente à renúncia, a Polícia Civil e o Ministério Público realizaram uma operação contra a venda ilegal de camarotes no estádio do Morumbi. Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, com alvos incluindo:

  • Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto de futebol de base do São Paulo
  • Mara Casares, ex-esposa de Julio Casares e ex-diretora feminina, cultural e de eventos do clube
  • Rita Adriana, acusada de negociar ilegalmente os camarotes

O promotor José Reinaldo Carneiro Guimarães afirmou que as evidências mostram que o Morumbi foi transformado em uma “gigantesca máquina de caça-níqueis” que beneficiou pessoas específicas em detrimento do clube. “O São Paulo é vítima de tudo o que está acontecendo”, declarou o promotor.

Investigações financeiras e defesas apresentadas

A crise no São Paulo envolve também investigações sobre movimentações financeiras irregulares. Segundo a Polícia Civil, entre 2021 e 2025 foram realizados saques em dinheiro vivo que somam aproximadamente R$ 11 milhões das contas do clube. No mesmo período, houve depósitos na conta pessoal de Julio Casares totalizando cerca de R$ 1,5 milhão.

A defesa de Casares nega qualquer relação entre os saques do clube e os depósitos em sua conta pessoal. O advogado Bruno Borragini argumentou que seu cliente, antes de assumir a presidência, atuava como publicitário e recebia parte de sua remuneração em dinheiro vivo.

Consequências imediatas e legado esportivo

Em sua carta de renúncia, Julio Casares destacou o legado esportivo de sua gestão, mencionando especialmente a conquista inédita da Copa do Brasil de 2023. Ele afirmou deixar um clube “esportivamente estruturado, com um time competitivo, que voltou a disputar decisões, chegou a finais e conquistou títulos de grande relevância”.

O São Paulo Futebol Clube, por meio de nota oficial, posicionou-se como vítima no caso da venda ilegal de camarotes e comprometeu-se a colaborar com as investigações. A renúncia de Casares ocorre em meio a uma das maiores crises políticas e institucionais da história recente do clube, que inclui ainda escândalos com aplicações de canetas emagrecedoras em atletas sem autorização da Anvisa.

O ex-presidente finalizou sua carta reafirmando seu amor pelo clube: “Ao São Paulo Futebol Clube, amor de infância e da minha vida, jamais renunciarei. Renuncio, sim, ao ambiente de conspirações, distorções, mentiras e disputas de poder que ultrapassaram os limites democráticos”.