Senador Renan Calheiros denuncia chantagem política no caso Banco Master
O senador Renan Calheiros (MDB-AL) realizou uma explosiva coletiva de imprensa na noite de quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, onde fez graves acusações envolvendo figuras de alto escalão do cenário político brasileiro. O parlamentar afirmou categoricamente que o escândalo de fraude do Banco Master jamais poderia ter ocorrido sem um amplo acobertamento político, lançando luz sobre um suposto esquema de proteção que envolveria autoridades influentes.
Acusações diretas contra Hugo Motta e Arthur Lira
Em declarações contundentes, Calheiros apontou o dedo diretamente para o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e para o ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL). Segundo o senador alagoano, os dois políticos teriam chantageado o ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), com o objetivo claro de impedir que o Banco Central (BC) concluísse o processo de liquidação do Banco Master.
"Um ministro do TCU tenta esconder com sigilos as chantagens que recebeu de [Hugo] Motta e [Arthur] Lira para liquidar a liquidação do Master. O clima entre ele e os pares no TCU é constrangedor. Tratamos disso em visita ao STF e à PF. A fraude do Master é impossível sem cobertura política", declarou Calheiros com veemência durante a coletiva.
Sigilo aumentado dificulta investigação
O senador destacou que o ministro Jhonatan de Jesus, que atua como relator da investigação sobre a liquidação do Master no TCU, recentemente aumentou significativamente o nível de sigilo dos documentos do caso. O status passou de "sigiloso" para "sigiloso com exigência de autorização específica para acesso", uma medida que, segundo Calheiros, pode criar obstáculos consideráveis para o Banco Central e até mesmo para outros ministros do TCU que precisam analisar o processo.
Embora Jhonatan de Jesus justifique o endurecimento das restrições como uma forma de prevenir vazamentos, Calheiros vê a movimentação com desconfiança. "Eu contei para o ministro [Edson] Fachin [do Supremo Tribunal Federal] o clima de constrangimento do Tribunal de Contas da União. Eu estive lá [no TCU], conversei pormenorizadamente com o presidente [do TCU] Vital do Rego", relatou o senador.
Detalhes da suposta chantagem
Calheiros foi ainda mais específico em suas alegações: "O Centrão chantageou um ministro do Tribunal de Contas para que ele acabasse com a liquidação do Banco Central [ao Banco Master]. Ele [o ministro Jhonatan de Jesus], hoje, decretou sigilo das informações para o Banco Central e para os próprios ministros do Tribunal de Contas da União. Porque a simples remessa dos procedimentos que ele abriu [anteriormente], coitado, chantageado, vai elucidar tudo que o que eu falei desde o primeiro momento".
Os documentos técnicos da investigação estão programados para serem entregues no gabinete de Jhonatan de Jesus nesta quinta-feira, 12 de fevereiro. A partir desse momento, como relator do processo, ele terá amplos poderes para conduzir os próximos passos da apuração, o que aumenta a preocupação de Calheiros sobre possíveis obstruções.
Resposta de Arthur Lira e silêncio de Hugo Motta
Em resposta às acusações, o deputado Arthur Lira emitiu uma nota oficial na qual rebate veementemente as declarações de Calheiros. Segundo Lira, seu rival alagoano "tem se especializado em criar fake news, como essa, para ganhar espaço na mídia e atacar sem provas seus adversários". A nota continua: "Além disso, usa assuntos sérios de forma leviana para chantagear o Governo, o Parlamento e tentar limpar a própria biografia, muito manchada por mal feitos".
A equipe da revista VEJA tentou contato com a assessoria do presidente Hugo Motta para obter um posicionamento sobre as acusações, mas não recebeu retorno até o momento. O espaço para manifestação continua aberto, conforme informado pela publicação.
Contexto da rivalidade política
Vale destacar que Renan Calheiros e Arthur Lira são inimigos figadais na política alagoana, com uma história de conflitos e disputas que transcende o caso específico do Banco Master. Esta não é a primeira vez que as tensões entre os dois políticos vêm à tona publicamente, mas as acusações de chantagem envolvendo um ministro do TCU e a presidência da Câmara elevam o conflito a um patamar institucional preocupante.
O caso do Banco Master, que envolve suspeitas de fraude em larga escala, agora se transforma em um palco para acusações graves de obstrução de justiça e chantagem política, colocando em xeque a transparência das investigações e a independência dos órgãos de controle.



