Ex-presidente usa prisão para orquestrar ofensiva política e familiar
Jair Bolsonaro completa, nesta data, seis meses de prisão por crimes contra a Constituição, incluindo tentativa de golpe de estado. Apesar da condenação que pode mantê-lo encarcerado até os 98 anos, conforme sentença do Supremo Tribunal Federal, o ex-mandatário transformou sua reclusão em um centro de operações políticas.
Do cárcere, Bolsonaro atropelou aliados dentro e fora do próprio partido, um dos maiores do Congresso Nacional, ao impor nomeações estratégicas. Seu passatempo na prisão, segundo análises, é montar meticulosamente o mapa eleitoral do Partido Liberal, que terá aproximadamente um bilhão de reais em recursos públicos para financiar campanhas.
Flávio Bolsonaro surge como candidato competitivo nas pesquisas
Flavio Bolsonaro, senador pelo Partido Liberal do Rio de Janeiro, foi nomeado pelo pai como candidato presidencial e, mesmo com ausências frequentes em viagens ao exterior, alcançou posição destacada nas sondagens. Ele ocupa o segundo lugar, com cerca de 35% das intenções de voto, patamar próximo ao do presidente Lula, que possui 40%.
Em algumas pesquisas, Flavio aparece empatado ou com pequena vantagem numérica sobre o atual chefe do Executivo. Embora não represente uma tendência consolidada, a ascensão é considerada uma proeza política, especialmente por ser conduzida a partir da prisão do pai.
Objetivo real: garantir posições familiares e sitiar o STF
O negócio de Jair Bolsonaro, contudo, não é necessariamente eleger o filho presidente. Sua meta principal é assegurar posições para a família na folha de pagamentos do Legislativo e construir uma base de apoio sólida no Congresso. Para isso, ele impôs ao PL candidaturas de múltiplos familiares:
- Michelle Bolsonaro, sua esposa, candidata em Brasília
- Rogéria Bolsonaro, sua ex-mulher, candidata no Rio de Janeiro
- Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro, seus filhos, candidatos em Santa Catarina
- Eduardo Bolsonaro, seu irmão, candidato em São Paulo
Além do fortalecimento familiar, Bolsonaro busca garantir uma bancada aliada com 42 votos dos 81 disponíveis no plenário do Senado. Essa tropa seria essencial para, em 2027, sitiar os ministros do Supremo Tribunal Federal com uma série de pedidos de impeachment.
Essa estratégia é vista como uma forma de vingança pela condenação que o mantém preso pelos próximos 27 anos. A movimentação política do ex-presidente, mesmo encarcerado, demonstra sua capacidade de influenciar o cenário eleitoral e partidário, redefinindo alianças e projetando familiares em cargos de poder.



