PF apreende BMW ligada a ex-presidente do Rioprevidência em operação contra desvios
BMW apreendida da PF seria de ex-presidente do Rioprevidência

Operação Barco de Papel apreende BMW suspeita de pertencer a ex-presidente do Rioprevidência

A Polícia Federal realizou nesta quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, a apreensão de um veículo de luxo que estaria vinculado a Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência, fundo de aposentadorias dos servidores do estado do Rio de Janeiro. A ação faz parte da terceira fase da Operação Barco de Papel, que investiga investimentos considerados irregulares da autarquia no Banco Master.

Detalhes da apreensão e tentativa de transferência

O carro em questão é uma BMW branca que foi localizada em Santa Catarina, especificamente na cidade de Balneário Camboriú. Embora o registro formal do veículo esteja em nome de uma empresa controlada pelos irmãos Rodrigo e Rafael Schmitz, os investigadores da Polícia Federal acreditam que o verdadeiro proprietário seria Deivis Antunes.

Segundo as informações apuradas pela força-tarefa, houve uma tentativa de transferência do automóvel para terceiros apenas três dias após o início da primeira fase da operação. Essa movimentação foi interpretada pelos agentes federais como uma manobra de blindagem patrimonial, com o objetivo claro de evitar uma eventual apreensão do bem.

Contexto da investigação e outras apreensões

A Operação Barco de Papel tem como foco principal apurar os investimentos de quase R$ 1 bilhão realizados pelo Rioprevidência em letras financeiras do Banco Master durante a gestão de Deivis Antunes e de outros dois ex-diretores. Esses títulos são classificados como de alto risco e não possuem cobertura do fundo garantidor de crédito, levantando suspeitas sobre a legalidade das transações.

Além da BMW, a Polícia Federal também apreendeu uma Porsche durante as diligências realizadas em Santa Catarina. Em um dos episódios mais dramáticos da operação, o empresário Igor Paganini, apontado como integrante do círculo pessoal de Deivis, atirou uma mala contendo R$ 429 mil pela janela do trigésimo andar de um edifício durante as buscas. Paganini passou a ser formalmente investigado pela PF após esse incidente.

Negativas e prisões relacionadas

Através de sua assessoria, Deivis Antunes emitiu uma nota oficial negando qualquer envolvimento com obstrução das investigações. "Ele nega de forma peremptória que tenha promovido qualquer destruição de imagens, documentos ou provas, informando exatamente sobre os fatos e como se deram, de forma a afastar qualquer ilação sobre um comportamento ilegal dele", afirma o documento.

Os irmãos Schmitz, por sua vez, foram presos na semana anterior sob a acusação de terem auxiliado o ex-presidente do Rioprevidência a ocultar provas da investigação. De acordo com a Polícia Federal, eles estiveram no apartamento de Deivis, localizado em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, e removeram documentos importantes quando o inquérito já estava em andamento. A descoberta dessa ação só foi possível porque os investigadores apreenderam todo o circuito de segurança do condomínio.

Desdobramentos e próximos passos

A apreensão do veículo em Santa Catarina representa mais um capítulo significativo na extensa investigação sobre os desvios no Rioprevidência. A Polícia Federal continua analisando documentos e evidências coletadas durante as três fases da Operação Barco de Papel, buscando esclarecer completamente as relações entre os investigados e as movimentações financeiras suspeitas.

O caso tem chamado a atenção não apenas pelo valor dos investimentos envolvidos, mas também pelas tentativas de obstrução que vêm sendo descobertas ao longo das investigações. As autoridades seguem trabalhando para identificar todos os responsáveis pelas possíveis irregularidades e garantir que a justiça seja aplicada de forma adequada.