Banqueiro Daniel Vorcaro é preso pela Polícia Federal em São Paulo na terceira fase da Operação Compliance Zero
O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e seu cunhado Fabiano Zettel chegaram na tarde desta quarta-feira (4) à Justiça Federal em São Paulo para audiência de custódia, após serem presos pela Polícia Federal. O procedimento judicial determinará se a prisão preventiva será mantida, se haverá liberdade provisória ou se serão aplicadas medidas cautelares alternativas.
Detenção e transporte discreto dos investigados
Os dois foram transportados em viaturas descaracterizadas, integrando um comboio de três veículos, e adentraram o prédio da Justiça Federal pela portaria lateral. Conforme apurado pela Globonews, os presos saíram da Superintendência da Polícia Federal em um automóvel não ostensivo, sem qualquer identificação externa que pudesse revelar sua natureza policial.
Vorcaro foi novamente detido nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal, no contexto da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras. Fabiano Zettel também era alvo de mandado de prisão e optou por se apresentar espontaneamente às autoridades federais.
Defesa dos investigados e alegações das autoridades
A defesa de Daniel Vorcaro emitiu nota afirmando que o banqueiro "sempre esteve à disposição das autoridades" e "jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça". Os advogados negaram "categoricamente as alegações atribuídas" a seu cliente e expressaram confiança de que "o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta". A defesa reiterou ainda "sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições".
Quanto a Fabiano Zettel, sua defesa declarou que "em que pese não ter tido acesso ao objeto das investigações, Fabiano está à inteira disposição das autoridades". As prisões ocorreram como parte integrante da terceira fase da Operação Compliance Zero, que, segundo a Polícia Federal, tem como objetivo investigar a "possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa".
Autorização judicial e detalhes da operação
A medida coercitiva foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em sua primeira ação como relator do caso, função que assumiu no mês passado. De acordo com a Polícia Federal, o esquema financeiro investigado envolve a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O nome da operação é uma referência direta à falta de controles internos nas instituições envolvidas, que facilitariam crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.
Não é a primeira vez que Daniel Vorcaro é detido. Em novembro do ano passado, ele já havia sido preso ao tentar embarcar para a Europa em um avião particular que partiria do aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo. Para a Polícia Federal, na ocasião, não havia dúvidas de que o banqueiro pretendia fugir do país. Já existia um mandado de prisão preventiva contra Vorcaro, que foi então conduzido à Superintendência da PF na capital paulista.
Outros alvos e medidas da operação
Além de Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel, a operação também teve como alvos:
- Luiz Phillipi Mourão, coordenador de segurança apelidado de "Sicário"
- Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado
Foram ainda determinadas ordens de afastamento de cargos públicos, além de sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões. Essas medidas visam interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.
CPI do Crime Organizado e desdobramentos políticos
Daniel Vorcaro era aguardado para depor nesta quarta-feira na CPI do Crime Organizado, em Brasília. No entanto, o dono do Banco Master já havia sinalizado que compareceria apenas à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. O ministro André Mendonça decidiu na terça-feira (3) que a presença de Vorcaro na CPI seria facultativa, concedendo-lhe a opção de escolher onde prestaria seus esclarecimentos.
A operação representa um marco significativo no combate a crimes financeiros de grande escala no Brasil, com a Polícia Federal demonstrando capacidade de atuação em investigações complexas que envolvem instituições bancárias e suspeitas de organização criminosa. O caso segue sob sigilo judicial, com novas fases da investigação podendo ser deflagradas conforme o andamento dos trabalhos.
