Professor da USP condenado a 3 anos e 10 meses por transfobia contra alunas
Professor da USP condenado por transfobia contra alunas

O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou o professor Jyrson Guilherme Klamt, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, a três anos e dez meses de prisão em regime aberto por transfobia contra duas alunas travestis. O crime ocorreu em novembro de 2023, no refeitório do Hospital das Clínicas. A sentença, proferida em primeira instância, também determina que Klamt pague um salário mínimo mensal durante um ano a uma instituição que presta serviços à comunidade LGBT+. As vítimas, Stella Guilhermina Branco Fontanetti e Louise Rodrigues e Silva, receberão R$ 10 mil cada uma como reparação moral.

O caso

As ofensas e ameaças ocorreram em uma lanchonete do campus, às vésperas da formatura das alunas. Segundo relatos, o professor abordou as estudantes em tom de deboche e ironia sobre a implementação do uso livre de banheiros conforme a identidade de gênero. Louise Rodrigues e Silva, uma das vítimas, afirmou que o professor perguntou qual banheiro ela usaria e fez comentários pejorativos sobre pessoas trans. Ele teria dito que, se elas usassem o banheiro onde sua filha estivesse, sairiam de lá mortas. Durante toda a abordagem, tratou Louise no masculino, apesar de conhecê-la.

Repercussão e recursos

A defesa de Klamt informou que recorrerá da sentença. O professor chegou a ser suspenso da USP por seis meses, mas já retomou as aulas. O advogado das vítimas, Everton Reis, classificou a decisão como histórica, destacando que ela legitima que a violência contra alunas trans não deve ser aceita e reforça o compromisso das universidades públicas com a igualdade e diversidade.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Punições administrativas

As estudantes registraram boletim de ocorrência por ameaça e injúria racial. Em agosto de 2024, Klamt foi afastado do Hospital das Clínicas por 180 dias, e em outubro de 2024, suspenso das atividades na Faculdade de Medicina por 90 dias, com a obrigação de frequentar um curso de letramento em identidade de gênero e sexualidade.

Louise e Stella foram as primeiras alunas travestis da história do curso de medicina em Ribeirão Preto. O caso ganhou repercussão nacional e levanta debates sobre transfobia no ambiente acadêmico.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar