Banco Master se torna epicentro de disputa política entre Renan Calheiros e Arthur Lira
A liquidação judicial do Banco Master se transformou em um verdadeiro campo de batalha política, onde os senadores Renan Calheiros (MDB-AL) e Arthur Lira (PP-AL), históricos desafetos e prováveis concorrentes nas eleições para o Senado em outubro, travam uma intensa guerra de narrativas. O caso, repleto de complexidades financeiras e regulatórias, está sendo utilizado como artilharia eleitoral por ambos os lados, com acusações que envolvem órgãos de controle como o Tribunal de Contas da União (TCU), o Banco Central (BC) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Acusações cruzadas e o papel do TCU no centro do conflito
Renan Calheiros, presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, imputou a Arthur Lira a prática de pressões sobre o TCU para que o tribunal agisse de forma mais contundente contra o Banco Central após a liquidação do Banco Master. Calheiros questiona publicamente a demora do BC em fechar as portas da instituição do banqueiro Daniel Vorcaro, destacando que, desde 2019, o Master operava com significativo apoio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Além disso, o senador planeja investigar a atuação da CVM, que, segundo ele, não foi suficientemente ativa na fiscalização de fundos de investimento específicos ligados ao Master, os quais, conforme apurações da Polícia Federal, podem ter servido como mecanismos de lavagem de dinheiro do crime organizado. Calheiros também mira o TCU, criticando a nomeação do relator do caso, Jhonatan de Jesus, que chegou à vaga após uma articulação política de Arthur Lira para sua reeleição como presidente da Câmara dos Deputados em 2023.
Contestações e movimentações controversas no processo
Arthur Lira, por sua vez, nega veementemente ter exercido qualquer tipo de pressão sobre o TCU. Enquanto isso, o relator Jhonatan de Jesus enfrenta críticas internas no próprio tribunal pelo tom adotado em uma ordem que anunciava uma inspeção no Banco Central. Interlocutores do ministro afirmam que ele apenas seguiu um parecer técnico de auditores, mas suas decisões, como a hipótese de congelar ativos do Banco Master para pagamento de credores, geraram polêmica.
O caso Master é marcado por outras movimentações controversas, incluindo:
- Pedidos sigilosos da cúpula do Ministério Público do Distrito Federal para barrar ações do BC que pudessem comprometer a compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB).
- O envio, pelo próprio Banco Master, de 38 peças processuais totalizando mais de 3.000 páginas com argumentos em sua defesa, mesmo sem ter sido admitido formalmente como parte no processo.
Estratégias eleitorais e foco em supostas contradições
As insinuações sobre o destino do Banco Master devem contrapor diretamente as campanhas de Renan Calheiros e Arthur Lira. Calheiros pretende focar na suposta leniência da CVM, enquanto aliados de Lira exploram aparentes contradições do Banco Central. Entre os pontos levantados estão:
- A autorização do BC para que Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, comprasse o antigo Banco Voiter (rebatizado como Banco Pleno), parte do conglomerado Master, mesmo com o acúmulo de suspeitas de irregularidades. Ambos, Lima e Vorcaro, foram presos na Operação Compliance Zero.
- Questionamentos sobre medidas que Gabriel Galípolo, atual chefe do BC, poderia ter tomado quando era diretor de Política Monetária, cargo responsável pela execução da taxa Selic, uma das mais importantes do banco.
Com importantes aliados dentro do TCU e um cenário eleitoral acirrado, ambos os parlamentares devem continuar usando o caso Master como uma ferramenta política crucial para se fortalecerem até as eleições de outubro, transformando uma questão financeira em um emblema de suas disputas pessoais e ideológicas.