Banco Master racha a República: crise institucional atinge Judiciário, governo e Congresso
O Inquérito das Fake News, iniciado em 2019 para proteger o Supremo Tribunal Federal (STF), completa sete anos sob sigilo total e agora se expande para investigar suspeitas de vazamentos de dados fiscais e bancários. O foco recai sobre o Banco Master, pivô de uma fraude bilionária que está acirrando conflitos e rachando o Judiciário, o governo federal e o Congresso Nacional, revelando uma profunda crise na República brasileira.
Origens do inquérito e a expansão para o caso Master
Em março de 2019, logo após o Carnaval, o ministro Alexandre de Moraes aceitou relatar um inquérito criminal sobre fake news, ameaças e infrações contra o STF, a pedido do então presidente da corte, José Antonio Dias Toffoli. O processo, conhecido como Inquérito das Fake News, ganhou o selo de Segredo de Justiça e permanece em máximo sigilo até hoje.
Na semana passada, Moraes ampliou o inquérito para apurar vazamentos de dados de pessoas próximas a juízes do STF. Familiares de Toffoli e Moraes têm sido ligados a contratos com o Banco Master, seus acionistas ou associados. Embora os negócios pareçam legais, o incômodo no tribunal é notório, levando Moraes a colocar no alvo órgãos como a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Conflitos abertos entre os Poderes da República
O caso Master expôs conflitos latentes entre os Poderes, que agora estão em embate aberto. O banco privado foi flagrado em uma fraude bilionária e está vinculado a transações financeiras suspeitas, aparentemente para lavagem de dinheiro de máfias. Essa crise deve se intensificar durante a temporada eleitoral, com repercussões políticas significativas.
Decisões do Supremo, assinadas por Toffoli, acirraram embates com a Polícia Federal, o Coaf, a Receita e o Banco Central. No governo, há acusações contra a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ligada ao Ministério da Fazenda, por omissão no controle de fundos desviados para o crime organizado. Outros criticam a eventual letargia do Banco Central, já que o Master era conhecido como um caso de gestão temerária.
Ingerências e desconfianças no Congresso e no mercado
Do lado do Banco Central, estranhou-se a interferência indevida de Toffoli – teoricamente suspeito no caso – para retirar a investigação da fraude do Master do juízo de primeira instância em São Paulo e levá-la ao STF, sob sigilo máximo. A ingerência do Tribunal de Contas da União (TCU), órgão auxiliar do Congresso, também foi considerada esdrúxula, sendo inusitada na história das liquidações já realizadas.
Pela primeira vez, 650 empresas financeiras privadas se preocuparam em apoiar o Banco Central contra a intervenção de outros organismos do Estado. No Congresso, não se acredita nas justificativas do STF e do TCU para a intromissão no caso Master. Aliados do governo atacam o voluntarismo de dirigentes de partidos como Progressistas, União Brasil e Republicanos na montagem de uma frente parlamentar para dissimular os investimentos políticos do Master.
Investigações futuras e perguntas-chave
A oposição planeja listar em comissões de inquérito os enlaces do Banco Master em estados dominados pelo Partido dos Trabalhadores, com foco especial na Bahia durante o governo de Rui Costa, atual chefe da Casa Civil. Qualquer investigação confiável sobre o caso Master deve responder objetivamente a pelo menos duas perguntas-chave:
- Como e por que se permitiram as fraudulências em série do Banco Master por quase uma década?
- Onde foi parar o dinheiro dessa maracutaia bilionária, que ultrapassa 40 bilhões de reais?
O caso Master não é apenas uma crise financeira, mas um terremoto institucional que testa os limites da democracia brasileira, com repercussões que podem moldar o futuro político do país.