Aliados de Bolsonaro pressionam STF por prisão domiciliar e aguardam perícia médica
Aliados pressionam STF por prisão domiciliar de Bolsonaro

Pressão política e expectativas médicas envolvem pedido de prisão domiciliar para Bolsonaro

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro têm realizado uma intensa mobilização junto aos ministros do Supremo Tribunal Federal, pressionando pela concessão de prisão domiciliar humanitária. A expectativa do grupo está depositada na perícia médica determinada pelo relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes, que analisará as informações de saúde apresentadas pela defesa.

Encontro cordial entre Michelle Bolsonaro e Alexandre de Moraes

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro manteve uma conversa a sós com o ministro Alexandre de Moraes na semana passada, em encontro descrito como cordial pelos envolvidos. Durante o diálogo, Michelle narrou de forma cronológica a queda sofrida por Bolsonaro na superintendência da Polícia Federal, as informações desencontradas recebidas pela família e todo o passo a passo até o atendimento médico.

A esposa do ex-presidente questionou Moraes sobre a possibilidade de conceder a Bolsonaro o mesmo benefício dado ao ex-presidente Fernando Collor em maio do ano passado, que recebeu prisão domiciliar humanitária após diagnóstico de Parkinson. O ministro respondeu que Collor apresenta risco de queda comprovado, estabelecendo um parâmetro para a análise do caso atual.

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Detalhamento médico e efeitos colaterais dos medicamentos

Michelle Bolsonaro detalhou ao ministro todos os medicamentos que o ex-presidente utiliza atualmente, incluindo os efeitos colaterais de cada um e os riscos específicos de quedas. Ela também atribuiu ao efeito dos medicamentos o episódio em que Bolsonaro violou a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda em novembro, explicando sobre dosagens e interações entre os remédios.

A ex-primeira-dama afirmou que Bolsonaro não teria mexido no equipamento de monitoramento se ela estivesse em casa naquele momento, reforçando a necessidade de acompanhamento familiar constante. Moraes fez diversas perguntas durante a conversa, todas respondidas por Michelle de forma detalhada.

Mobilização coletiva junto aos ministros do Supremo

Pessoas próximas a Bolsonaro afirmam que há uma mobilização coletiva em curso, com aliados do ex-presidente buscando contato com diversos ministros do STF. Um aliado que falou sob condição de anonimato resumiu a situação dizendo que "todo mundo está falando com todo mundo", indicando a amplitude das articulações políticas.

Entre os ministros que teriam sido contatados estão:

  • Edson Fachin, presidente do STF
  • Gilmar Mendes, decano da corte
  • Alexandre de Moraes, relator do caso
  • Luiz Fux
  • Kassio Nunes Marques
  • André Mendonça

Fatores que influenciam a decisão judicial

Na avaliação de parlamentares envolvidos nas articulações, a repercussão do tema na imprensa tem retardado a decisão de Moraes. Segundo um deles, é necessário cautela para que o ministro não se sinta politicamente pressionado, mas convencido de que o quadro de saúde do ex-presidente é realmente delicado.

Amigos de Bolsonaro afirmam que dois fatores renovaram as expectativas pela concessão da prisão domiciliar:

  1. A determinação da perícia médica pelo ministro relator
  2. A transferência de Bolsonaro da superintendência da PF para o batalhão da PM conhecido como Papudinha

A avaliação é de que o cenário também mudou porque outros ministros do STF, ao analisarem a gravidade do estado de saúde de Bolsonaro, passaram a temer que a corte seja responsabilizada pela família ou pela opinião pública caso ocorra algum agravamento.

Implicações políticas e familiares

Um aliado do ex-presidente aponta ainda um fator político relevante. Na visão dele, as sucessivas negativas de Moraes acabam vitimizando Bolsonaro e fortalecendo a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro, seu filho mais velho, criando um cenário eleitoral complexo para o futuro próximo.

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Michelle Bolsonaro, que deve retomar no próximo mês as viagens que vinha realizando pelo país por meio do PL Mulher após uma pausa de dois meses, comunicou o adiamento do primeiro encontro previsto para o Tocantins. A assessoria da ex-primeira-dama informou que "a medida foi necessária em razão da atual situação que o ex-presidente da República Jair Bolsonaro e a presidente do PL Mulher Michelle Bolsonaro estão enfrentando", o que demandou readequação da agenda de compromissos.

O caso continua em análise no Supremo Tribunal Federal, com a decisão final dependendo da conclusão da perícia médica e da avaliação jurídica do ministro Alexandre de Moraes sobre os argumentos apresentados pela defesa do ex-presidente.