Ex-deputado Alexandre Ramagem é preso pelo ICE nos Estados Unidos
O ex-deputado federal cassado Alexandre Ramagem foi detido pelo Serviço de Imigração e Controle Alfandegário dos Estados Unidos, conhecido como ICE, nesta segunda-feira, 13 de abril de 2026. A prisão ocorreu por questões migratórias, conforme informaram as autoridades americanas, marcando uma reviravolta dramática na situação do ex-parlamentar.
Declarações anteriores contrastam com a realidade atual
Em entrevista concedida em novembro de 2025 ao bolsonarista Allan dos Santos, Ramagem havia expressado confiança total na sua segurança em solo americano. “É lógico que eu não ia ficar no Brasil, com as minhas filhas me vendo ser preso sem ter cometido crime algum e sendo submetido a uma ditadura”, afirmou na ocasião. Ele complementou dizendo: “Consegui sair para não expor minha família a essa violência. Hoje estou seguro aqui, com a anuência do governo americano, diante de uma perseguição grave”.
O ex-deputado chegou a relatar um suposto acolhimento caloroso por parte das autoridades locais: “O que eu posso te dizer é que as autoridades americanas me receberam muito bem, e foi expressamente o que eles falaram: ‘É muito bom ter um amigo a salvo aqui com a gente’”. Essas declarações, no entanto, parecem ter perdido validade diante dos recentes acontecimentos.
Contexto jurídico e fuga do Brasil
Alexandre Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal em 2025 a uma pena de 16 anos e um mês de prisão por envolvimento em tentativa de golpe de Estado. Delegado da Polícia Federal desde 2005, ele ocupou o cargo de chefe da Agência Brasileira de Inteligência durante o governo de Jair Bolsonaro e é investigado no caso denominado “Abin Paralela”, sob suspeita de monitoramento ilegal de adversários políticos.
Em setembro de 2025, Ramagem executou uma fuga elaborada do território brasileiro:
- Atravessou a fronteira terrestre de forma clandestina pelo estado de Roraima.
- Entrou na Guiana de carro, deslocando-se até a capital Georgetown.
- Embarcou em um voo com destino final aos Estados Unidos.
Pedido de extradição e inclusão na lista da Interpol
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, determinou a inclusão do nome de Alexandre Ramagem na lista de procurados da Interpol. Em resposta a essa medida, o governo brasileiro formalizou um pedido oficial de extradição às autoridades dos Estados Unidos em janeiro de 2026, buscando o retorno do ex-deputado para cumprir sua sentença no país.
Enquanto isso, aliados de Ramagem afirmavam publicamente que ele planejava solicitar asilo político nos Estados Unidos, argumentando perseguição política no Brasil. A prisão pelo ICE, no entanto, coloca esse plano em xeque e abre caminho para um possível processo de extradição, que dependerá de decisões judiciais e diplomáticas entre os dois países.
Implicações políticas e jurídicas
A detenção de Alexandre Ramagem pelo ICE reacende debates sobre:
- A cooperação internacional em matéria de justiça e imigração.
- Os limites do asilo político em casos envolvendo condenações por crimes graves.
- A eficácia das medidas de busca e captura coordenadas pela Interpol.
Este caso ilustra as complexidades das relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos no âmbito da justiça, especialmente em situações que envolvem figuras políticas de alto perfil e acusações de natureza antidemocrática. Os próximos passos incluem audiências migratórias nos EUA e possíveis apelações, enquanto o governo brasileiro aguarda uma resposta formal sobre seu pedido de extradição.



