O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator do inquérito que apura uma fraude de R$ 12 bilhões envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, elaborou uma lista detalhada de 81 perguntas dirigidas ao banqueiro Daniel Vorcaro. O interrogatório ocorreu no dia 30 de dezembro, e recentemente, Toffoli retirou o sigilo dos depoimentos, revelando os meandros de um escândalo que abalou o mercado financeiro brasileiro.
As questões centrais do caso
As perguntas formuladas por Toffoli abordam transações suspeitas, falhas na supervisão do Banco Central e possíveis conexões políticas. O ministro busca esclarecer como operações fraudulentas, que por pouco não levaram o BRB a um prejuízo bilionário, foram realizadas. O caso também forçará o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a desembolsar mais de R$ 40 bilhões, um recorde, para pagar credores lesados.
Defesa pública de Toffoli
Na quinta-feira, 29 de janeiro, Toffoli se defendeu publicamente de críticas sobre sua condução do caso. Em uma nota, ele justificou a "absoluta necessidade da realização de diligências urgentes" como mecanismo para preservar as investigações e proteger o Sistema Financeiro Nacional. O magistrado afirmou que, ao final da apuração, avaliará se o processo deve permanecer no STF.
Perguntas sobre supervisão e transações
Entre as questões, Toffoli questiona Vorcaro sobre como o Banco Central, que decretou a liquidação extrajudicial do Master em novembro, supervisionou as operações. Há indagações sobre vazamentos que levaram à prisão do banqueiro no final do ano passado e pedidos de esclarecimentos sobre conexões políticas, incluindo se Vorcaro "solicitou a intervenção de autoridades políticas junto ao Banco Central do Brasil em favor do Banco Master".
Mencionado no interrogatório
No interrogatório, apenas uma autoridade com foro privilegiado foi mencionada: o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), cujo governo é acionista majoritário do BRB. Com o avanço das investigações, Rocha pode ser processado no Superior Tribunal de Justiça (STJ), foro dos chefes do Executivo estaduais e do DF.
Detalhes das perguntas
As 81 perguntas cobrem uma ampla gama de tópicos, desde a estrutura decisória do Banco Master até transações específicas com empresas como DPI e Tirreno. Toffoli pede que Vorcaro esclareça sua posição formal e atuação prática no banco entre 2023 e novembro de 2025, especificando quais decisões estratégicas dependiam de sua anuência direta.
Foco em empresas suspeitas
O ministro também investiga as relações comerciais do Master com a DPI Soluções e Pagamentos LTDA e a Tirreno Consultoria Promotoria de Créditos de Participação. Perguntas detalhadas abordam a verificação da capacidade econômica dessas empresas, a existência de movimentações financeiras e a possível fabricação de créditos falsos.
Conclusão e próximos passos
O caso continua a evoluir, com Toffoli analisando as respostas de Vorcaro para determinar responsabilidades. As investigações podem impactar não apenas os envolvidos diretos, mas também a confiança no sistema financeiro nacional. A postura do ministro em elaborar perguntas tão específicas tem chamado a atenção e gerado debates sobre os limites da atuação judicial em fases investigativas.