Soldado da PM atira em major em Salvador e é baleada por tenente-coronel durante intervenção
Soldado atira em major da PM em Salvador e é baleada durante intervenção

Soldado da PM atira em major em Salvador e é baleada durante intervenção

Um incidente grave envolvendo membros da Polícia Militar da Bahia ocorreu na segunda-feira (23), na Vila Militar do Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador. A soldado Ana Beatriz de Jesus Alves Santos efetuou disparos contra a major Caroline Ferreira Souza, sua superior hierárquica, atingindo-a no rosto.

Intervenção imediata e socorro às vítimas

Diante da agressão, um tenente-coronel que estava próximo ao local interveio rapidamente, efetuando disparos contra a soldado com o objetivo de conter sua ação. Ana Beatriz foi baleada no tórax e no ombro. Ambas as policiais militares foram socorridas por colegas e encaminhadas ao Hospital Geral Roberto Santos (HGRS). Posteriormente, a major Caroline foi transferida para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde passou por uma cirurgia no maxilar. Felizmente, nenhuma das duas corre risco de morte segundo as informações disponíveis.

Investigação em andamento e protocolos de atuação

O caso está sendo acompanhado pela Corregedoria da Polícia Militar, que ainda não divulgou detalhes sobre a investigação interna. Para esclarecer os procedimentos previstos em situações como esta, o coronel da reserva Antônio Jorge explicou que a prioridade absoluta em ocorrências com risco à vida é interromper o ataque, independentemente de quem esteja envolvido.

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"Se você se depara com uma situação que uma pessoa está armada, desferindo disparos contra a outra, a primeira providência a fazer é cessar a agressão", afirmou o especialista. "E, se esse agressor se vira contra aquele que está fazendo a intervenção, o interventor tem não só o direito, como o dever, de resguardar a sua integridade física e de terceiros que se encontram presentes no mesmo ambiente".

Contexto da soldado e possíveis consequências

Ana Beatriz integra a corporação há cinco anos e, em dezembro de 2025, foi aprovada no Curso de Formação de Oficiais (CFO). A Polícia Militar não informou se a soldado será submetida a alguma sanção por atirar contra sua superior. Conforme ponderou o coronel Antônio Jorge, qualquer decisão sobre sua permanência na instituição depende integralmente da investigação em curso.

"Ninguém poderá determinar antecipadamente se a policial será demitida ou se será impedida de frequentar o curso", destacou. A análise inicial cabe à autoridade responsável pela apuração, e posteriormente o caso pode ser encaminhado à Auditoria Militar do Estado para uma decisão jurídica adequada.

Relatos de problemas no trabalho e posicionamento da defesa

Segundo o advogado Lucas Sestelo, da Associação dos Policiais e Bombeiros Militares e seus Familiares (Aspra), que representa a soldado Ana Beatriz, ela relatou enfrentar problemas no ambiente de trabalho. "Ela me partilhou que realmente estava sofrendo algum tipo de perseguição, me parece, mas não tenho como confirmar porque foi uma conversa um pouco mais superficial", pontuou o advogado ao atender a imprensa.

Sestelo também ponderou que somente as investigações e uma avaliação psicológica poderão indicar se Ana Beatriz agiu em surto ou não. O g1 tentou contato com a defesa da major agredida, mas não obteve retorno até o momento.

Nota oficial da Polícia Militar da Bahia

Em comunicado, a Polícia Militar da Bahia lamentou o ocorrido e afirmou que está prestando apoio aos familiares das agentes e aos integrantes da corporação. A nota na íntegra diz: "A Polícia Militar da Bahia informa que acompanha o quadro de saúde de duas policiais militares atingidas por disparos de arma de fogo, na manhã desta segunda-feira (23), na Vila Militar do CAB, em Salvador. De acordo com as informações preliminares, uma soldado efetuou disparos contra uma oficial da corporação. Diante do ocorrido, houve intervenção para conter a ação, momento em que a autora também foi atingida. Ambas foram prontamente socorridas e encaminhadas a uma unidade hospitalar. A PMBA lamenta o ocorrido e informa que está prestando apoio e acompanhamento aos familiares e aos integrantes da corporação".

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O caso segue sob investigação, com atenção voltada para os protocolos de uso da força e as circunstâncias que levaram ao episódio violento dentro da corporação policial.