Secretário pede exoneração após descobrir que familiar foi vítima de prefeito
Secretário exonera-se após familiar ser vítima de prefeito

O secretário de agricultura de Pio IX, Márcio Tércio, pediu exoneração e deixou o cargo nesta segunda-feira (18) após descobrir que uma pessoa de sua família teria sido vítima do prefeito Silas Noronha (PSD), atualmente investigado por exploração sexual de crianças e adolescentes. O g1 entrou em contato com a Prefeitura de Pio IX para saber quem assumirá o comando da pasta de forma interina ou definitiva, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Secretário se diz envergonhado

Ao g1, Márcio afirmou que se sente 'envergonhado' por continuar ligado ao prefeito diante das acusações. Além de pedir exoneração do cargo, ele afirmou que pretende apoiar um novo pedido de impeachment contra o prefeito Silas Noronha. “Me sinto envergonhado de estar aliado a uma pessoa que não tem respeito à sociedade e ao nosso povo. Enquanto existir esse cara na gestão, eu me mantenho afastado”, declarou.

Familiar tinha 15 anos na época do crime

O ex-secretário contou ainda que fazia parte da gestão havia cerca de três anos e classificou os atos atribuídos ao prefeito como “imorais”. Segundo Márcio, o familiar citado na investigação tinha 15 anos na época do suposto crime, em agosto do ano passado. Ele relatou que só soube do caso cerca de 15 dias atrás, após a denúncia ser feita junto à Polícia Civil. A família, segundo Márcio, está abalada com a situação.

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Prefeito voltou ao cargo após ser afastado

O prefeito Silas Noronha é investigado por suspeita de exploração sexual de crianças e adolescentes. Ele foi preso no dia 10 de abril durante uma investigação da Polícia Civil do Piauí sobre um suposto esquema de aliciamento de adolescentes, mas retornou ao cargo na última sexta-feira (15), após decisão judicial. A informação sobre a volta do prefeito foi confirmada ao g1 pelo presidente da Câmara Municipal, o vereador Maykon Alencar. Segundo ele, a sessão que votaria a abertura do processo de impeachment contra o gestor estava prevista para a noite de sexta-feira, mas foi adiada. Ainda não há uma nova data definida.

Decisão judicial permitiu retorno

Na decisão que autorizou o retorno de Silas Noronha ao cargo, a desembargadora Maria do Rosário de Fátima Martins Leite Dias entendeu, em análise preliminar, que não ficou demonstrado que a função de prefeito estaria sendo usada para cometer crimes, atrapalhar as investigações ou interferir na Justiça. O afastamento cautelar do prefeito havia sido determinado por 90 dias após a prisão dele em abril.

Relembre o caso

Silas Noronha passou a ser investigado após um ex-integrante da campanha denunciar que, a pedido dele, participou de um esquema de aliciamento de adolescentes de 13 e 14 anos. Nas redes sociais, a gestão publicou que Silas Noronha colabora com a investigação. Além do prefeito, um sobrinho dele também foi preso suspeito de envolvimento no caso. Os dois foram soltos no último dia 5. Liedson Alves, ex-integrante da equipe de campanha de Silas nas eleições de 2024, usou as redes sociais e também esteve na Câmara de Vereadores para denunciar o suposto esquema. Segundo o denunciante, os casos teriam começado após as eleições. No entanto, não há informação sobre por quanto tempo o esquema teria ocorrido. Ele contou que recebeu a proposta de Silas logo depois das eleições, durante as quais produziu conteúdo para as redes sociais do candidato à reeleição. "O prefeito falou que, para eu ter renda e ele continuar me pagando, ele ia aumentar o salário, mas para isso eu tinha que levar meninas pra ele. Sempre do mesmo perfil: menores de idade e do meu convívio, nada de meninas mais velhas", relatou. O rapaz relatou que as adolescentes eram, em geral, filhas de pessoas ligadas à prefeitura, como parentes de gestores ou políticos. Ele também afirmou que um sobrinho do prefeito participaria do esquema. Em um dos vídeos, o denunciante disse que uma adolescente teria recebido cerca de R$ 1 mil para ir a um motel com o prefeito, no primeiro encontro. Segundo a delegada Rosa Chaib, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), o número de vítimas não será informado no momento devido ao sigilo da investigação.

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