Policiais presos são flagrados em atividades cotidianas em Manaus
Flagrantes obtidos durante uma investigação do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) revelam que policiais militares presos circulavam normalmente pelas ruas de Manaus, mesmo estando oficialmente custodiados no núcleo prisional da corporação. Imagens de câmeras de segurança registraram detentos indo a mercados, lojas e quadras esportivas sem qualquer escolta policial.
Rotina de liberdade quase total
Segundo o MP-AM, os presos viviam uma rotina de liberdade quase total. Durante uma operação no local, autoridades identificaram a ausência de cerca de 23 custodiados, que teriam um 'passe livre' para deixar a unidade prisional. As imagens mostram um dos policiais presos chegando de carro a um mercado ao lado do presídio e entrando normalmente no estabelecimento. Em outro flagrante, o mesmo detento aparece em uma loja acompanhado da esposa e de outro homem, observando produtos e circulando livremente.
Uso de quadra escolar e outras irregularidades
A investigação também encontrou registros de presos utilizando a quadra de uma escola municipal vizinha para jogar futebol. Em um dos vídeos, um PM condenado por comércio ilegal de armas aparece carregando bolas em direção ao local sem qualquer acompanhamento policial. De acordo com a promotoria, a falta de fiscalização transformou o núcleo prisional em um ambiente sem controle efetivo. Há suspeitas de que alguns detentos saíam da unidade até para cometer crimes, mantendo o álibi de que estariam presos.
'Colônia de férias' no núcleo prisional
A investigação do MP revelou que policiais militares presos por crimes graves, como homicídio, tráfico de drogas e estupro, tinham liberdade para sair, praticar atividades de lazer e circular pela cidade. No local, 71 policiais respondiam por acusações graves. Apesar disso, havia relatos de ausência de fiscalização e falhas na custódia, permitindo saídas frequentes. Segundo as investigações, alguns detentos pagavam propina, entre R$ 50 e R$ 70, para sair sem controle. A prática era considerada recorrente.
Festas, futebol e circulação livre
Imagens e relatos mostram que a rotina dentro e fora da unidade fugia completamente do esperado para um sistema prisional. Presos organizavam churrascos, frequentavam espaços públicos e praticavam atividades de lazer. A escola municipal vizinha era utilizada semanalmente para jogos de futebol, sem escolta policial. Em um dos casos, um sargento foi flagrado deixando a unidade com bolas para jogar futebol. Em mensagens encontradas em seu celular, ele próprio comparou a estadia no presídio a um período de descanso. Outro caso mostrou um PM que, mesmo detido, usava o celular para anunciar a venda de armas.
Estrutura inadequada e reação das autoridades
De acordo com investigadores, o espaço nunca foi projetado para funcionar como unidade prisional, o que contribuiu para a falta de controle e as irregularidades. Diante das denúncias, o governo do estado decidiu desativar o núcleo. Os presos foram transferidos para uma unidade dentro de um complexo prisional, com estrutura considerada mais adequada para custódia. A mudança gerou protestos de familiares e dos próprios detentos, mas foi realizada sem necessidade de uso de força.
Providências e investigações
A Secretaria Municipal de Educação informou que havia uma autorização formal para o uso da quadra pelos presos e que não havia contato entre eles e os alunos. O comandante da PM afirmou que a corporação não compactua com desvios e que providências já foram tomadas, como a troca da direção da unidade e a responsabilização de envolvidos. Autoridades esperam que, na nova unidade, os policiais passem a cumprir efetivamente as regras do sistema prisional. Para o Ministério Público, o local funcionava de forma 'totalmente disfuncional', sem cumprir o papel de prisão.



