A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, presa na quinta-feira (7) sob suspeita de agredir uma empregada doméstica de 19 anos grávida, no Maranhão, chegou algemada a São Luís. Ela é investigada pelos crimes de tentativa de homicídio triplamente qualificado, cárcere privado, calúnia, difamação e injúria, conforme a Polícia Civil.
Crime com agravantes
A tentativa de homicídio triplamente qualificado é uma classificação utilizada quando a polícia entende que houve intenção de matar e que o crime foi cometido com agravantes previstos em lei, como motivo torpe, uso de meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. De acordo com Augusto Barros, delegado geral da Polícia Civil, apesar dos materiais já apresentados, como áudios atribuídos à suspeita, o caso segue sob investigação. Outros elementos incluídos no inquérito ainda devem ser analisados nos próximos dias.
Transferência e depoimento
Carolina Sthela foi transferida de Teresina, no Piauí, onde foi presa, para São Luís. Ao chegar na capital maranhense, prestou depoimento por mais de uma hora na sede da 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy, que investiga o caso. Em depoimento, a empresária não confirmou que os áudios divulgados com supostas confissões das agressões sejam de sua autoria. Segundo a Polícia Civil, ela pediu que o material passe por perícia.
Versão da empresária
Segundo a empresária, o anel que teria motivado as agressões contra a doméstica estava avaliado em R$ 5 mil. Ela também afirmou à polícia que está grávida de três meses e enfrenta problemas de saúde, como pressão alta e infecção urinária. Até o momento, a Polícia Civil não confirmou a gestação.
Prisão e tentativa de fuga
De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), Carolina Sthela foi presa quando tentava fugir. Ela foi localizada em um posto de gasolina em Teresina, perto da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI). A defesa dela nega que tentasse fugir. O delegado Yan Brayner, diretor de inteligência da Polícia Civil, afirmou que Carolina estava abastecendo o carro com o objetivo de possivelmente fugir do Piauí. Ainda segundo ele, o marido e o filho de seis anos da mulher também estavam no veículo.
Participação de policial militar
O policial militar Michael Bruno Lopes Santos, suspeito de participar das agressões, se entregou à polícia na quinta-feira (7). Em depoimento, o PM negou ter agredido a vítima. Segundo a Polícia Civil, ele seria o homem citado pela empregada doméstica como um dos responsáveis pelas agressões e tortura sofridas por ela, ao lado da empresária, na residência onde a vítima trabalhava. O policial afirmou que conhecia a empresária há seis anos.
Relato da vítima
A jovem descreveu as agressões que sofreu e disse que levou puxões de cabelo, socos e murros e foi derrubada no chão. Durante os ataques, tentou proteger a barriga, pois estava grávida de cinco meses. A ex-patroa a acusou de ter roubado um anel e passou horas procurando o objeto. A joia foi encontrada dentro de um cesto de roupas sujas. Mesmo após a joia ser localizada, as agressões continuaram. A vítima afirmou ainda que foi ameaçada de morte por Carolina Sthela caso contasse à polícia o que havia acontecido.
Jornada de trabalho
A jovem afirmou que recebeu R$ 750 por pouco mais de duas semanas de trabalho na casa da empresária. Segundo a vítima, ela acumulava funções e cumpria jornada diária de quase 10 horas. Entre as atividades estavam limpar a casa, cozinhar, lavar e passar roupas, além de cuidar de uma criança de seis anos, filho da ex-patroa. O pagamento foi feito de forma fracionada, por meio de transferências em nome de terceiros.
Áudios com confissão
Áudios enviados pela empresária e obtidos pela TV Mirante registram os relatos das agressões e foram anexados ao inquérito. Em uma das mensagens, Carolina afirma que a vítima “não era pra ter saído viva”. “Quase uma hora essa menina no massacre, e tapa e murro e pisava nos dedos. Tudo que vocês imaginarem de doidice, era eu e ele fazendo”, disse. Nos áudios, a mulher contou que teve ajuda de um homem para pressionar a empregada de forma violenta.
Policiais afastados
Quatro policiais militares que atenderam a ocorrência foram afastados das funções. A medida foi tomada após a divulgação de áudios da empresária, em que ela relata as agressões e afirma que não foi levada à delegacia por conhecer um dos policiais.
Antecedentes
A polícia informou que a empresária responde a mais de dez processos. Em um deles, de 2024, foi condenada por calúnia após acusar falsamente a ex-babá de roubar uma pulseira de ouro. A pena de seis meses em regime aberto foi substituída por serviços comunitários, além de indenização de R$ 4 mil por danos morais.



