Pais e tio de adolescentes são indiciados por coagir testemunha no caso do cão Orelha
Pais e tio indiciados por coação no caso do cão Orelha

Pais e tio de adolescentes são indiciados por coagir testemunha no caso do cão Orelha

A Polícia Civil de Santa Catarina informou que três adultos foram indiciados por supostamente coagir uma testemunha no processo que investiga a morte do cão comunitário Orelha, ocorrida em Florianópolis. Os investigados são pais e um tio dos adolescentes suspeitos de envolvimento nas agressões que levaram o animal à morte na Praia Brava no início de janeiro.

Detalhes do indiciamento e perfil dos investigados

Os três adultos indiciados têm perfis profissionais distintos: dois são empresários e o outro é advogado. A polícia não divulgou os nomes dos investigados, mas revelou que o crime de coação foi cometido contra o vigilante de um condomínio. Este vigilante possuía uma foto que poderia colaborar com a investigação da ocorrência, segundo informações da corporação.

O delegado Renan Balbino, da Delegacia Especializada de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE), destacou que a investigação segue rigorosamente o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), mantendo sigilo absoluto sobre identidades dos menores envolvidos.

Andamento da investigação sobre os adolescentes

A polícia descartou que os quatro adolescentes inicialmente identificados como suspeitos de maus-tratos contra Orelha tenham tentado afogar outro cachorro na praia. Caramelo, como é chamado o animal que costumava andar ao lado de Orelha, foi adotado e está seguro.

Um dos quatro adolescentes já foi ouvido e negou estar na Praia Brava no momento do crime. Sua participação está preliminarmente descartada, mas o celular apreendido dele passará por extração de dados para verificar a veracidade do relato.

Os outros adolescentes suspeitos devem ser ouvidos na próxima semana, com a presença obrigatória de um responsável legal, conforme determina o ECA. Dois desses investigados estavam fora do país e retornaram ao Brasil na quinta-feira (29), quando a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão.

Análise de evidências e desafios da investigação

A Polícia Civil analisa cerca de mil horas de imagens de câmeras de segurança da região da Praia Brava, registradas no período das agressões. Um relatório complementar de investigação está em elaboração para esclarecer o caso.

Segundo o delegado Balbino, um dos principais desafios é a falta de imagens diretas do momento do espancamento. No entanto, registros de outros episódios de vandalismo e confusão na mesma região, supostamente envolvendo adolescentes, estão sendo usados para cruzamento de informações.

A Polícia Científica trabalha no melhoramento das imagens para possibilitar uma eventual comparação facial entre os suspeitos e pessoas que aparecem nos vídeos. A extração de dados dos celulares apreendidos também pode ajudar a preencher lacunas da investigação.

Outras apurações e contexto do caso

Os adolescentes também são investigados por possível envolvimento em outros atos ilícitos registrados neste mês na região, como:

  • Furto de bebida alcoólica
  • Danos ao patrimônio
  • Perturbação do sossego

Cada caso será apurado separadamente, em autos próprios de apuração de ato infracional. O delegado afirmou que "é um grupo muito grande de adolescentes" e que muitas pessoas aparecem nos vídeos disponíveis.

O cão Orelha foi encontrado agonizando por pessoas na praia, socorrido e levado a uma clínica veterinária, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos. As agressões só chegaram oficialmente ao conhecimento da Polícia Civil no dia 16 de janeiro, apesar de terem ocorrido no início do mês.