Mulher morre após cirurgia plástica de 'mommy makeover' em SP
Mulher morre após cirurgia plástica em SP (26.05.2026)

Mulher morre após cirurgia plástica de 'mommy makeover' em SP

A gerente comercial Juliana Silva Xavier, de 39 anos, faleceu após complicações decorrentes de uma cirurgia plástica que envolvia procedimentos no abdômen, seios e glúteos. O marido, Luís Antônio Castro Barros, de 42 anos, relatou ao g1 que a operação custou mais de R$ 37 mil.

Luís destacou que o médico responsável garantiu à família que não haveria problemas em realizar a cirurgia apenas cinco meses após o nascimento do filho. Nas redes sociais, o profissional possui mais de 78 mil seguidores e promove o chamado mommy makeover (transformação da mamãe), um conjunto de plásticas para restaurar o corpo após a gestação.

Histórico da paciente

Segundo Luís, a esposa descobriu que estava grávida uma semana antes de marcar a cirurgia em 2025. O filho do casal nasceu em dezembro daquele ano, e Juliana esperou quatro meses após o parto para retornar à clínica. "O sonho dela era colocar silicone", disse o marido, acrescentando que ela escolheu o médico por indicação de amigas.

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Luís afirmou que desde o início era contra a realização do procedimento: "Desde a primeira vez, do ano passado, antes dela engravidar, não queria. Ela era linda, ela era tudo para mim", explicou.

Procedimento e complicações

De acordo com o boletim de ocorrência, a moradora de Iguape (SP) passou pela cirurgia no Hospital Ruben Berta em 12 de maio. Poucas horas após o procedimento, ela apresentou complicações e precisou ser transferida para o Hospital Alvorada Moema, onde teve a morte constatada em 14 de maio. O caso é investigado pela Polícia Civil como morte suspeita.

O advogado Raul Canal, que representa o médico, disse ao g1 que a cirurgia transcorreu dentro da normalidade. "No período pós-operatório, porém, houve uma grave e inesperada intercorrência clínica, decorrente de alterações orgânicas apresentadas pela própria paciente", afirmou.

Reação após a cirurgia

Luís contou que a esposa voltou para o quarto desacordada, aproximadamente seis horas após o previsto pelo médico. "Percebi que algo anormal já estava acontecendo", disse o marido. A mulher foi levada para a UTI com suspeita de alergia a medicamento, mas depois retornou ao quarto e acordou reclamando de dor, calor e sede.

Em determinado momento, enfermeiras pediram que Luís acordasse a esposa. "Achei que estivesse dormindo, mas vi que não era normal", lembrou. Quando o médico chegou, ele deu tapinhas na cabeça dela dizendo: "Acorda, princesa. Acorda que está na hora de acordar".

Morte constatada

O médico disse que era normal a paciente dormir até 24 horas após a cirurgia, mas determinou a transferência para exames. Na sala de espera da UTI do segundo hospital, uma enfermeira informou a Luís que a esposa estava muito grave e não tinha chance de sobreviver. O viúvo afirmou que pretende contratar um advogado para buscar justiça: "Quem era preparado ali era o médico, o cirurgião, ele não tomou as devidas cautelas".

Investigação policial

O caso foi registrado no 27º Distrito Policial (Campo Belo) como "morte súbita, sem causa determinante aparente", e a investigação está a cargo do 96º Distrito Policial (Monções). A Polícia Civil busca esclarecer se a morte foi uma fatalidade, relacionada a doença pré-existente, complicação cirúrgica ou falha médica.

O diagnóstico hospitalar apontou "tromboembolia pulmonar devido a um agente biodinâmico". A família aguarda os laudos periciais do Instituto Médico Legal (IML) para determinar responsabilidades.

Nota do advogado do médico

O advogado Raul Canal lamentou o falecimento e afirmou que a cirurgia transcorreu normalmente, mas houve intercorrência clínica inesperada. Ele disse que toda assistência foi prestada e que o caso segue sob apuração das autoridades.

Nota dos hospitais

O Hospital Alvorada informou que recebeu Juliana em estado grave e realizou todos os esforços, mas ela faleceu na noite do dia 14. O Hospital Ruben Berta não retornou o contato do g1.

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