Uma mãe denunciou à Polícia Militar e à Secretaria Municipal de Educação de Uberlândia um suposto crime de maus-tratos contra seu filho de 5 anos, diagnosticado com transtorno do espectro autista (TEA). O caso ocorreu na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Professora Veridiana Rodrigues Carneiro, no bairro Mansour.
Suspeitas após mudança de profissionais
Segundo a empresária Andréa Soares Borges Araújo, o menino estudava na unidade há três anos. Após a troca de profissionais, o comportamento da criança mudou, e os pais suspeitaram que ele estaria sendo isolado das outras crianças. Diante da dificuldade de comunicação do filho, que é não verbal, eles colocaram um gravador de voz na mochila para acompanhar a rotina escolar.
Gravações revelam falas preocupantes
Nos áudios captados, há questionamentos sobre a inclusão do aluno, incentivos para que a criança reagisse a situações e ordens para que ficasse “preso”. A mãe relatou que ouvir as gravações foi muito difícil: “A gente confia num ambiente que a gente está deixando o nosso filho. Toda criança merece respeito, ser acolhida e inclusa nas atividades”.
O menino também é portador da Síndrome de Williams, condição rara que envolve complicações como cardiopatia, tendo passado por cirurgias de cateterismo e peito aberto.
Boletim de Ocorrência e investigação
Os pais registraram Boletim de Ocorrência por suspeita de maus-tratos a menor de 14 anos. Segundo a PM, eles relataram que receberam uma denúncia anônima sobre a conduta de uma professora e, a partir disso, decidiram monitorar o filho. Os áudios indicariam que a criança foi excluída de atividades e impedida de brincar no parquinho como punição. Em outro trecho, o menino teria ficado cercado por cadeiras após derrubar um prato. Há também relato de desconforto de uma profissional durante a troca de fraldas.
A direção da escola informou à polícia que houve mudanças no quadro de servidores e que a unidade passa por adaptação. Uma educadora negou qualquer privação de atividades e afirmou que os alunos não ficam sozinhos. Outra profissional disse ter tido contato com o aluno apenas uma vez e não constatou irregularidades.
Posicionamento da Secretaria Municipal de Educação
A SME informou que já apura o caso, realizou acolhimento da família e fará oitivas na escola para coleta de informações. O aluno foi transferido para outra unidade da rede municipal, garantindo continuidade dos estudos. A pasta reforçou que mantém o Setor de Educação Especial e promove formação continuada dos profissionais. Também comunicou que vai reforçar os protocolos nas unidades de ensino e investigará toda denúncia semelhante.
A mãe fez um alerta a outras famílias: “Tem mães que não têm rede de apoio. As crianças atípicas, não verbais, precisam de voz. A gente tem que ficar atento a todos os sinais”.



