Flagrante em São Paulo mostra ladrão roubando módulos de quatro motos em menos de um minuto
O programa Fantástico deste domingo (16) destacou um crime que vem crescendo significativamente na cidade de São Paulo: o furto de módulos eletrônicos de motocicletas. Um vídeo exibido na reportagem revela a ação rápida e ousada de um ladrão que conseguiu roubar o equipamento de quatro motos em pouco mais de sessenta segundos, durante plena luz do dia.
Imagens de segurança capturam ação criminosa
As imagens foram registradas por câmeras de segurança por volta das 9h30 de uma terça-feira comum. No vídeo, o suspeito aparece circulando calmamente pela rua até selecionar as motocicletas estacionadas como alvo. Em questão de segundos, ele encosta ao lado dos veículos, levanta o banco, quebra a trava de segurança e remove o módulo eletrônico antes de prosseguir para a próxima moto com impressionante destreza.
O "cérebro" da motocicleta
O módulo é considerado essencialmente o "cérebro" da motocicleta, conforme explica o mecânico Alexandre Sauro. "Ele gerencia todo o funcionamento do veículo. Sem esse equipamento, o motor simplesmente não funciona. É como tentar ligar a moto sem utilizar a chave", detalha o especialista. Para profissionais que dependem das motos no cotidiano, como entregadores e motoboys, essa ocorrência deixou de ser uma exceção para se tornar uma realidade frequente.
O motoqueiro Carlos Barros relata a situação: "Direto acontece. Vira e mexe, o indivíduo tenta ligar a motocicleta, não consegue, e ao verificar descobre que está sem o módulo". Essa prática criminosa não apenas interrompe a rotina de trabalho, mas também impõe um custo financeiro considerável para recolocar o veículo em circulação.
Subnotificação e custos elevados
Não existem números oficiais precisos sobre quantos módulos são furtados diariamente em São Paulo, pois muitas vítimas sequer registram boletim de ocorrência na Secretaria da Segurança Pública. Contudo, empresas que operam sistemas de câmeras de segurança na capital paulista apontam pelo menos três casos diários.
Os relatos de quem vivencia essa situação ajudam a dimensionar a frequência do problema. O entregador Bruno Henrique compartilha sua experiência: "Eu tive o módulo roubado duas vezes, meu irmão também foi vítima uma vez", conta ele, que perdeu o equipamento enquanto realizava seu trabalho.
Representantes do setor automotivo informam que um módulo novo pode custar entre R$ 1.200 e R$ 7 mil, podendo alcançar até R$ 8 mil dependendo da marca e da cilindrada da motocicleta. Sem essa peça fundamental, a moto não liga e o dia de trabalho é abruptamente interrompido.
Mecânica do furto e mercado paralelo
A retirada do módulo segue um procedimento relativamente simples. Os criminosos quebram a trava plástica do banco, puxam o chicote e desconectam a peça. "Sai facilmente. Não tem mistério nenhum para eles", descreve o mecânico Alexandre. O efeito é imediato para a vítima, que retorna ao veículo e descobre que não conseguirá sair do local.
Diante desse risco constante, alguns motociclistas tentam adaptar proteções por conta própria. Bruno menciona que ele e sua família esconderam o módulo "debaixo do tanque". Outros recorrem a protetores de ferro com parafusos específicos para dificultar a remoção da peça.
A investigação sobre a origem desses equipamentos furtados, no entanto, enfrenta limitações técnicas significativas. Delegados ouvidos na reportagem explicam que módulos de motos de média e alta cilindrada podem possuir identificação legível por scanner. Já nos modelos de baixa cilindrada, comuns entre entregadores, não é usual existir vinculação digital do módulo ao veículo, o que facilita sobremaneira a revenda clandestina.
Demanda por peças mais baratas alimenta ciclo criminoso
Esse cenário também contribui para explicar por que o mercado paralelo permanece ativo. Sem recursos financeiros para adquirir a peça original nas concessionárias, parte das vítimas acaba recorrendo a alternativas irregulares. "A pessoa prefere buscar uma loja ou e‑commerce clandestino em vez da concessionária oficial", afirma Arnaldo Rocha Júnior, delegado da Polícia Civil de São Paulo.
A demanda por módulos mais acessíveis acaba retroalimentando o problema. O motoqueiro Marcos Cardoso admite o dilema ético e prático: "Você encontra no mercado paralelo por R$ 250, R$ 300, mas eu poderia estar comprando exatamente o meu próprio módulo que foi roubado". Essa dinâmica perpetua um ciclo vicioso de criminalidade e prejuízo para trabalhadores que dependem das motocicletas para sua subsistência.



