Jovem de 18 anos preso por furtos milionários na Zona Sul do Rio
Luan Moore Aguiar Martins de Mello, com apenas 18 anos e três meses, foi preso na quinta-feira após ser identificado como o principal suspeito de uma série de furtos em residências de alto padrão na Zona Sul do Rio de Janeiro. A prisão ocorreu na comunidade de Manguinhos, na Zona Norte, durante uma operação policial que cumpriu mandado por furto no interior de residência e receptação.
Histórico criminal iniciado aos 13 anos
O jovem tinha 13 anos quando foi apreendido pela primeira vez pela polícia, em 2020. Desde então, acumulou um extenso histórico criminal, com 47 anotações. Antes de completar a maioridade, Luan foi apreendido dez vezes, todas pelo mesmo crime: furto no interior de residência.
As investigações tiveram início em setembro de 2025, após uma sequência de furtos registrados em imóveis de alto padrão. De acordo com os investigadores, o prejuízo estimado pode chegar a R$ 1 milhão por residência, especialmente nos imóveis de mais alto padrão.
Modus operandi e áreas de atuação
Segundo a delegada Daniella Terra, da 15ª DP (Gávea), o suspeito escolhia os imóveis com mais facilidade de acesso e menor risco de ser visto. "Ele ficava acampado na mata e furtava as residências. Ele furtou um apartamento no Jardim Botânico pulando uma altura muito alta. Jardim Botânico, Gávea e São Conrado tinham muitos problemas com ele", relatou a delegada.
Luan selecionava residências que poderiam abrigar objetos de alto valor, percorrendo todos os cômodos em busca de joias, relógios, bolsas de luxo e outros artigos. Registros policiais indicam pelo menos dois roubos em 2026 antes de sua prisão.
Comportamento durante apreensões e reincidência
Policiais que o apreenderam em outras ocorrências descreveram seu comportamento quando ainda era menor de idade. "Ele era abusado demais. Ele ria, e falava: 'Daqui a pouco eu estou solto'", contou um agente.
Em 2024, ainda com 16 anos, Luan participou de um roubo na rua Araucaira, no Jardim Botânico, onde um iPad foi roubado de uma residência após ele entrar pela varanda. Este foi o primeiro registro contra ele pelo crime. Já adulto, voltou a ser investigado por delitos semelhantes, mantendo o mesmo modo de agir.
A reincidência levou os investigadores a compará-lo com Pedro Dom, o criminoso da classe média carioca que chefiava uma quadrilha especializada em assaltar prédios de luxo e foi morto pela polícia em 2005.
Problemas em unidades socioeducativas
Além dos furtos, Luan teve problemas em unidades socioeducativas do Degase em 2025. Em junho, tentou enforcar um colega interno em um centro em Nova Friburgo, na região Serrana. Meses antes, em março, foi responsável por uma rebelião e tentou fugir da unidade de Volta Redonda.
Recuperação de itens roubados no réveillon
Nesta sexta-feira (30), policiais da 15ª DP encontraram em um imóvel perto da comunidade de Manguinhos, na Zona Norte, usado por Luan para armazenar materiais furtados até a revenda. O local foi apontado pelo próprio criminoso após a prisão.
No local, foram localizadas diversas joias e relógios subtraídos de uma casa em São Conrado na noite do réveillon. O imóvel estava vazio e não houve novas prisões. Todo o material recuperado foi apreendido e será devidamente restituído ao proprietário.
Revenda de objetos abaixo do mercado
De acordo com a 15ª DP (Gávea), após os furtos, os objetos eram revendidos a receptadores, principalmente peças de ouro e relógios de marcas renomadas. A polícia afirma que os itens eram negociados por valores muito abaixo do preço de mercado — cerca de R$ 450 por grama de ouro —, sem considerar marcas ou assinaturas que poderiam elevar o valor real em até dez vezes.
Uso das redes sociais para ostentação e venda
As investigações também apontam que o suspeito utilizava as redes sociais para divulgar os itens furtados. Para a polícia, as publicações tinham o objetivo de desafiar as forças de segurança e atrair interessados na compra dos objetos.
Ainda segundo a Polícia Civil, o valor obtido com os furtos era usado em restaurantes e hotéis de luxo, geralmente com pagamentos feitos em dinheiro vivo. A rotina de gastos e ostentação também era exibida com frequência nas redes sociais do investigado.