Irregularidades em núcleo prisional da PM no AM são reveladas após apreensão de metralhadoras
Irregularidades em presídio da PM no AM após apreensão de armas

A investigação que expôs irregularidades no antigo Núcleo Prisional da Polícia Militar do Amazonas teve início após a apreensão de duas metralhadoras de guerra em maio de 2025, na Zona Leste de Manaus. A informação foi divulgada à Rede Amazônica nesta segunda-feira (18) pelo promotor de Justiça Armando Gurgel, do Ministério Público do Amazonas (MPAM). O antigo núcleo foi desativado na última terça-feira (12), após a transferência dos presos para a nova Unidade Prisional da PM (UPPM/AM).

Apreensão de metralhadoras e operação 'Fogo Amigo'

Segundo o promotor, o caso começou quando policiais da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) apreenderam duas metralhadoras calibre .30 na Avenida Cosme Ferreira, no bairro Zumbi dos Palmares. Na ocasião, o policial militar Douglas Napoleão Campos foi preso transportando as armas de uso restrito dentro de um carro. A partir da apreensão, o Ministério Público deflagrou a operação 'Fogo Amigo', com foco no cumprimento de mandados de prisão e busca contra suspeitos de envolvimento no transporte clandestino das metralhadoras.

Flagrante de chamada de vídeo dentro da unidade

Durante o cumprimento de um dos mandados, um dos custodiados no Núcleo Prisional da Polícia Militar fez uma chamada de vídeo dentro da unidade, flagrada pelo MP. 'Houve busca e apreensão na residência dessa pessoa que estava presa no núcleo prisional, foi possível observar que ele realizou uma chamada telefônica de vídeo para a companheira que morava no endereço. Então, nós tivemos a percepção de que ele estava com um celular indevidamente dentro do local', lembrou Armando Gurgel. Isso levou o MP a uma fiscalização imediata, resultando na apreensão de materiais proibidos e na descoberta da fuga de dois detentos ainda em 2025.

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Fuga de 23 policiais em fevereiro de 2026

Em fevereiro de 2026, uma nova fuga foi registrada: 23 policiais militares deixaram a unidade. A ausência foi percebida durante vistoria de rotina. Segundo a corporação, pelo menos 18 retornaram espontaneamente na mesma noite. No dia seguinte, a PMAM informou que a situação foi regularizada. O caso abriu investigações do MP. Dois policiais foram presos na Operação Sentinela, suspeitos de facilitar a saída. O então responsável pelo núcleo, major Galeno Edmilson de Souza Jales, também foi preso. Dias depois, o governador Wilson Lima assinou decreto excluindo o oficial da PM.

Atuação conjunta e transferência de presos

Após a fuga, o MPAM passou a atuar junto à PM e à Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) diante da dimensão dos problemas. A transferência dos presos ocorreu na última terça (12), durante a Operação Sentinela Maior. Após cerca de seis horas de atraso e protestos de familiares, 71 policiais militares foram distribuídos em três ônibus. Com a retirada, a desativação da antiga unidade foi concluída. Os detentos foram levados para a nova UPPM/AM, instalada no antigo prédio da Penitenciária Feminina de Manaus, na BR-174, Zona Rural da capital.

Nova unidade na BR-174

A nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM/AM) funciona no antigo prédio da Penitenciária Feminina de Manaus (PFM), que operava como Centro Feminino de Educação e Capacitação (Cefec), ao lado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj). Segundo a Seap, a estrutura foi criada para substituir o antigo núcleo, com regras próprias, maior controle administrativo e reforço na segurança. Para o MP, embora não seja a solução definitiva, retira o Amazonas da 'total falta de governança' no sistema de custódia de policiais presos.

Entre os serviços previstos estão parlatório para advogados, assistência médica com clínico geral, enfermeiro, plantão técnico e escalas de especialistas, além de encaminhamento hospitalar em emergências. A unidade também oferecerá oficinas e atividades laborais masculinas, além de serviços de cartório. O promotor Armando Gurgel afirmou que a nova estrutura foi analisada tecnicamente e descartou riscos apontados por familiares sobre a proximidade com o Compaj.

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