Uma operação da Polícia Civil de Roraima resultou na prisão de sete influenciadores digitais e no cumprimento de mandados contra outras três pessoas, investigadas por envolvimento em um esquema milionário de lavagem de dinheiro e exploração de jogos de azar, conhecido como 'jogo do tigrinho'. O empresário Ruissian Ferreira Braga Ribeiro, de 28 anos, um dos alvos da operação, pagou fiança de R$ 48.630 e foi solto ainda na segunda-feira (27).
Detalhes da prisão de Ruissian Braga
Ruissian foi preso em flagrante por posse de munição durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na operação Mantus, conduzida pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC). Os policiais precisaram arrombar o portão da residência do empresário e encontraram 48 munições calibre .380 dentro de uma caixa de sapatos em seu escritório. Ruissian, que possui negócios no ramo de veículos e imóveis, segundo a Polícia Civil, apresentou postura agressiva e hostilizou os agentes, acusando-os de terem plantado as munições. Por isso, foi algemado. Posteriormente, colaborou com as buscas em sua loja de carros, a Ruissian Comércio de Veículos LTDA. O delegado Julio César da Rocha estabeleceu fiança de 30 salários mínimos, totalizando R$ 48.630, valor pago por Ruissian, que recebeu alvará de soltura. O g1 tenta contato com a defesa do empresário.
Operação contra influenciadores do 'jogo do tigrinho'
A operação, deflagrada nesta segunda-feira (27), investiga um esquema de crimes contra o consumidor e lavagem de dinheiro relacionado à divulgação do 'jogo do tigrinho'. As investigações apontam movimentação de R$ 260 milhões em dois anos. Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão, sequestro de bens móveis e imóveis e bloqueio de valores que podem chegar a R$ 68 milhões em contas bancárias dos investigados.
Os influenciadores presos são:
- Raniely Silva Carvalho, conhecida como Raniely Carvalho, dona do perfil 'Portal Raniely Carvalho' e de uma loja de conveniência;
- Gildázio Cardoso, de 25 anos, conhecido como Mulherzona (preso em Goiás);
- Laís Ramos Gomes da Silva, conhecida como Laís Ramos;
- Patrik Adhan dos Santos Ribeiro, de 27 anos, conhecido como Patrik Adhan;
- Amanda Lourenço Faria, de 28 anos, conhecida como Amanda Faria e dona de uma loja de roupas;
- Adrielly Vivianny Araújo de Jesus, de 29 anos, conhecida como Adrielly Araújo e dona de uma loja de roupas fitness;
- Dione dos Santos da Silva, de 37 anos, marido de Adrielly e atleta de levantamento de peso;
- Vitória Reis da Silva, de 26 anos.
Além deles, foram alvos de mandados de busca e apreensão:
- Victoria Paixão Barros, de 26 anos, influenciadora conhecida como Vick Paixão, dona de uma loja de produtos de beleza;
- Juliana Lima do Nascimento, de 23 anos, esteticista;
- Ruissian Ferreira Braga Ribeiro, empresário;
- Ruissian Comércio de Veículos LTDA, empresa de Ruissian.
Investigação e defesas
O delegado Eduardo Patrício, da DERCC, afirmou que a operação é resultado de uma investigação iniciada em setembro de 2024, que revelou um esquema estruturado com forte atuação nas redes sociais. Os investigados usavam sua visibilidade digital para divulgar plataformas do 'jogo do tigrinho', atraindo seguidores com promessas enganosas de ganhos fáceis. Os mandados de busca e apreensão foram expedidos pela juíza Daniela Schirato, titular da Vara de Entorpecentes e Organizações Criminosas, que determinou a apreensão de objetos e bens vinculados aos delitos, como armas de fogo, celulares, notebooks e dispositivos de armazenamento.
A defesa da influenciadora Raniely Carvalho informou, em nota, que ela é inocente e 'nega veementemente qualquer envolvimento em práticas de lavagem de dinheiro, golpes financeiros ou estelionato'. A nota, assinada pelos advogados Elizângela Matos e Henrique Wagner, destaca que a influenciadora 'sempre pautou sua atuação profissional pela transparência e está à inteira disposição das autoridades'. Os advogados de Vitória Reis da Silva, Carlos Vila Real e Edmarcos Gonçalves, divulgaram que tentam 'acesso aos autos e alega cerceamento de defesa', manifestando-se 'somente após o conhecimento do inteiro teor da decisão judicial'. O g1 tenta contato com a defesa dos demais citados.



