A Polícia Civil de Roraima desarticulou um esquema que envolve influenciadores digitais e movimentou R$ 260 milhões por meio do chamado 'jogo do tigrinho' em dois anos. Os investigados atuavam como ponte entre plataformas de jogos de azar e seus seguidores, promovendo uma falsa ideia de enriquecimento fácil.
Como funcionava o esquema
Segundo a investigação, as plataformas de jogos recrutavam influenciadores com grande número de seguidores para atrair novos apostadores. Eles usavam contas 'demo' programadas para sempre vencer, criando a ilusão de que qualquer pessoa poderia obter lucros. Além disso, exibiam uma vida de luxo, com viagens e procedimentos estéticos, para transmitir a ideia de enriquecimento rápido.
Formas de pagamento
As plataformas pagavam os influenciadores de três maneiras: com base no acesso aos links fornecidos e nos valores depositados pelos seguidores; quando uma pessoa perdia dinheiro, parte era repassada ao influenciador; e por quantidade de postagens, com pagamento fixo.
Principais investigados
A polícia investiga 11 suspeitos, entre eles oito influenciadores: Raniely Carvalho, Gildázio Cardoso, Laís Ramos, Patrik Adhan, Amanda Faria, Vitória Reis, Vick Paixão e Adrielly Araújo. Também são investigados Dione Santos (marido de Adrielly), a esteticista Juliana Lima e o empresário Ruissian Ferreira, além de sua empresa de venda de carros.
Adrielly Araújo, de 29 anos, é apontada como a pessoa com maior volume financeiro, movimentando R$ 144 milhões entre 2023 e 2024. Raniely Carvalho movimentou mais de R$ 8 milhões no mesmo período.
Plataformas clandestinas
A Polícia Civil identificou que as plataformas divulgadas não têm autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), operando de forma clandestina e sem controle fiscal.
Lavagem de dinheiro
Os investigados usavam 'laranjas' para registrar bens em nome de terceiros ou empresas, dificultando o rastreamento. Adrielly e o marido possuem oito imóveis, três carros e um estabelecimento comercial avaliados em cerca de R$ 2 milhões. Patrik Adhan transferiu um veículo de R$ 280 mil para sua empresa. Raniely Carvalho usava uma BMW 320i e uma caminhonete registradas em nome de Ruissian Ferreira, além de transferir R$ 800 mil para a empresa dele.



