Ex-bispo Valdir Mamede é denunciado por importunação sexual contra padre em SP
Ex-bispo denunciado por importunação sexual contra padre

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por intermédio da Promotoria de Catanduva, no interior paulista, apresentou denúncia contra o ex-bispo da Igreja Católica Valdir Mamede por importunação sexual praticada contra um padre que atuava na região entre os anos de 2019 e 2023. A investigação teve início em 2024. No final de fevereiro deste ano, o MP havia solicitado o arquivamento do caso. Contudo, o procurador-Geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, determinou o desarquivamento ao identificar indícios de crime.

Detalhes da denúncia

Na terça-feira, 28, o promotor Caíque Ducatti formalizou a denúncia contra o ex-bispo na Justiça Criminal local. Segundo o inquérito policial, entre 2019 e 2023, nas dependências da Paróquia de São Sebastião, em Ibirá, e na Residência Episcopal, em Catanduva, Valdir Mamede teria praticado, reiteradamente e sem o consentimento da vítima, atos libidinosos com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro. A conduta teria ocorrido mediante dissimulação, abuso de poder e violação de dever inerente ao cargo, ofício, ministério ou profissão, além do exercício de autoridade sobre a vítima.

Casos específicos

O promotor relata quatro episódios envolvendo o ex-bispo e o padre. Em um deles, o então bispo teria solicitado que o padre dormisse em sua residência, alegando necessidade de transporte até o aeroporto de São José do Rio Preto no dia seguinte. Durante a noite, enquanto assistiam a um filme, Valdir teria pulado sobre a vítima, agarrando-a e beijando-a à força. Em outro momento, entre 2022 e 2023, o ex-bispo, supostamente embriagado, realizava chamadas de vídeo para o padre, nas quais aparecia nu.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Pedidos do Ministério Público

O MP requer que a Justiça condene o ex-bispo ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 300 mil à vítima. Além disso, o órgão deixou de propor Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), argumentando que os crimes são contra a dignidade sexual, foram praticados de forma reiterada por cinco anos consecutivos, por agente que detinha autoridade sobre a vítima, e há indícios de conduta similar contra outros seminaristas.

O Ministério Público também solicitou medidas cautelares, incluindo a proibição de contato com o padre, a manutenção de distância mínima de 500 metros da vítima, a proibição de frequentar a Paróquia de Ibirá e a sede da Diocese em Catanduva, a obrigação de não se ausentar da Comarca onde reside sem autorização judicial e a proibição de mencionar o nome da vítima ou os fatos em entrevistas.

Posição do ex-bispo

Procurado por telefone, o ex-bispo Valdir Mamede não se pronunciou. O espaço permanece aberto para manifestação de sua defesa.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar