Um empresário uruguaio de 36 anos morreu após ser baleado durante as comemorações do Réveillon na Praia da Enseada, em Guarujá, no litoral de São Paulo. A vítima, identificada como Carlos Adrian Manccini Piriz, foi atingida por um disparo durante uma troca de tiros entre suspeitos e um policial à paisana, na madrugada do dia 1º de janeiro.
Vida de luxo nas redes e passado criminal
Carlos Adrian Manccini Piriz era conhecido por ostentar um estilo de vida luxuoso em suas redes sociais. Ele publicava frequentemente fotos e vídeos em restaurantes caros e viagens, além de exibir joias, como correntes e anéis, e um cartão black. O empresário também mostrava com orgulho seu carro BMW, que descrevia como um "sonho".
Morador de São Paulo, Piriz mantinha uma loja online de camisas de time e itens de grife, como bolsas, sapatos e óculos. Em julho de 2025, ele publicou uma mensagem motivacional sobre empreendedorismo: "De onde eu venho, isso parecia impossível. Mas com disciplina, visão e coragem, hoje faz parte do meu dia a dia. Nunca pare de acreditar no seu próximo nível".
Porém, por trás da imagem de sucesso, havia um passado criminal. Em 2023, o Governo do Uruguai entrou com um processo no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a prisão e extradição de Piriz. Ele foi acusado de aplicar cerca de 35 golpes pela internet, causando um prejuízo superior a 300 mil pesos uruguaios (aproximadamente R$ 40 mil). As vítimas eram enganadas em compras de peças automotivas, suplementos e calçados que nunca recebiam.
Em setembro de 2023, o STF decretou sua prisão preventiva para fins de extradição. Piriz foi detido no dia 15 daquele mês. Em 2024, o Supremo deferiu o pedido de extradição feito pelo Uruguai, mas não há confirmação se ele foi de fato conduzido ao país de origem.
Confusão na praia termina em morte
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), o episódio que resultou na morte do empresário começou com uma tentativa de assalto. Um policial militar de 43 anos, que estava de folga e acompanhado da família na praia, foi abordado por um grupo de homens. Um deles teria ameaçado sacar uma arma de debaixo da camisa.
Diante da ameaça, o policial reagiu e houve uma troca de tiros. Os suspeitos conseguiram fugir do local, mas Carlos Adrian Manccini Piriz, que estava nas proximidades, foi atingido por um dos disparos. Ele recebeu socorro imediato e foi acompanhado durante o atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos.
A Polícia Militar emitiu uma nota lamentando o ocorrido: "Lamentavelmente, um cidadão que estava no local foi atingido por um disparo". A SSP-SP informou que a pistola calibre .40 do policial foi apreendida para perícia. O caso foi registrado como roubo e lesão corporal na Delegacia de Guarujá, e diligências seguem em andamento para identificar os suspeitos.
Versões contraditórias sobre o ocorrido
Existe uma divergência sobre os fatos. Tanto a família da vítima quanto uma testemunha ouvida pelo g1 negaram que tenha havido troca de tiros, afirmando que o suposto ladrão não estaria armado. As autoridades, no entanto, mantêm a versão de que o policial reagiu a uma ameaça com arma de fogo.
A SSP-SP foi enfática ao afirmar que, apesar dos processos judiciais e da extradição autorizada, a morte do turista uruguaio não teve relação com essas questões. O caso é tratado como um infortúnio, onde Piriz foi baleado por engano durante a confusão.
Carlos Adrian Manccini Piriz havia fundado uma microempresa no Rio Grande do Sul em abril de 2025. Sua trajetória, que misturava a imagem pública de sucesso empresarial com um passado de acusações de crime digital, terminou de forma trágica e violenta na primeira madrugada do ano, em uma das praias mais movimentadas do litoral paulista.