Desaparecimento de corretora completa 40 dias com suspeitas de ação planejada
O caso do desaparecimento da corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, completa 40 dias nesta terça-feira, mantendo a família em angústia e levantando graves suspeitas sobre as circunstâncias do ocorrido. A família da profissional, que sumiu em Caldas Novas, no sul de Goiás, acredita que as quedas de energia registradas no apartamento foram provocadas de forma intencional, como parte de um plano bem elaborado para capturá-la.
Quedas de energia foram alvo específico, afirma irmã
De acordo com Fernanda Alves, irmã de Daiane, o desligamento do padrão de energia foi direcionado especificamente para a área onde a corretora se encontrava. "Desligou especificamente o padrão da onde que ela estava", relatou Fernanda, destacando que a ação ocorreu em um ponto cego das câmeras de monitoramento do prédio. "Sabia o apartamento que ela estava, desligou especificamente o padrão da onde que ela estava, ela foi ligar um quadro de energia. Uma área que era ponto cego, então, assim, foi uma coisa muito bem elaborada", completou.
Fernanda ainda reforçou a tese de que o autor do crime possuía conhecimento detalhado dos hábitos de Daiane e da estrutura do edifício. "Quem capturou a Daiane tinha conhecimento dos hábitos dela. Ultimamente, sabia que ela estava sozinha, conhecia os pontos cegos e conhecia bem o prédio", afirmou, sugerindo que se tratava de alguém próximo ou familiarizado com a rotina da vítima.
Detalhes do desaparecimento e inconsistências
O desaparecimento ocorreu no dia 17 de dezembro de 2025. Testemunhas e imagens de segurança mostram Daiane entrando no elevador, passando pela portaria para falar com o recepcionista, retornando ao elevador e descendo para o subsolo. Contudo, um detalhe chama a atenção: a mãe da corretora, Nilze, revelou que a filha deixou a porta do apartamento aberta na noite em que desceu para verificar a queda de energia, mas a porta já estava trancada quando ela chegou ao local.
Vídeos enviados por Daiane a uma amiga confirmam que ela entrou no elevador e deixou a porta aberta, indicando a intenção de retornar rapidamente. Essa inconsistência reforça as suspeitas de que algo anormal aconteceu durante a verificação do quadro de energia.
Síndico do prédio é denunciado e responde a múltiplos processos
O síndico Cleber Rosa de Oliveira, responsável pela administração do prédio onde Daiane desapareceu, está no centro das investigações. A família informou que ele responde a 12 processos envolvendo a corretora, incluindo um recente do Ministério Público de Goiás (MP-GO).
No processo mais recente, datado de 19 de janeiro, o MP-GO denunciou Cleber pelo crime de perseguição (stalking), com agravante de abuso de função, considerando sua posição como síndico do local de residência da vítima. Outro processo relevante, de maio de 2025, acusa Cleber de lesão corporal, alegando que ele deu uma cotovelada em Daiane durante um confronto sobre desligamentos no fornecimento de energia.
A defesa de Cleber foi contatada pelo g1, mas não se manifestou até a última atualização desta reportagem, deixando as acusações sem resposta formal. A família continua a pressionar por respostas e pede ajuda da população para obter informações que possam esclarecer o paradeiro de Daiane, cujo caso já completa mais de um mês sem solução.