Corpo de policial da Força Nacional desaparecido em rio na Terra Yanomami é encontrado em Roraima
Corpo de policial da Força Nacional é encontrado em rio na Terra Yanomami

Corpo de policial da Força Nacional desaparecido em rio na Terra Yanomami é encontrado em Roraima

O corpo do policial da Força Nacional Israel Serafim Santos, de 41 anos, que desapareceu em um rio na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, foi localizado após três dias de intensas buscas. O militar, conhecido como Soldado Serafim, atuava no combate ao garimpo ilegal na região amazônica quando o acidente ocorreu.

Detalhes do desaparecimento e localização

O desaparecimento aconteceu na quinta-feira, 19 de março, no rio Uraricaá, na região da Estação Ecológica de Maracacá. Israel Serafim integrava uma equipe de cinco agentes que retornava de uma operação de destruição de um acampamento de garimpo ilegal. Para acessar o local, o grupo precisou atravessar o rio a nado devido à ausência de ponto de pouso para aeronaves na margem onde funcionava o garimpo.

Durante o retorno pelo mesmo trajeto aquático, o policial começou a se afogar em determinado momento. Um colega tentou prestar socorro, mas não conseguiu alcançá-lo devido à distância entre os integrantes da equipe. Em seguida, o militar desapareceu nas águas do rio.

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O corpo foi localizado por volta das 10 horas de sábado, 21 de março, aproximadamente 300 metros abaixo do ponto do desaparecimento, em uma área de corredeira. A vítima estava com todo o equipamento completo, incluindo armamento e farda.

Operação de busca e resgate

As buscas pelo militar começaram imediatamente após o desaparecimento, mobilizando mais de 20 agentes de diversas instituições. Participaram da operação integrantes da Força Nacional, Bombeiros, Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e do Comando Conjunto Operacional Catrimani II.

As equipes utilizaram barcos, aeronaves e veículos terrestres em uma extensa operação que percorreu o trecho do rio Uraricaá onde ocorreu o acidente. A localização do corpo aconteceu após três dias de buscas ininterruptas na região de difícil acesso.

Trajetória profissional do policial

Israel Serafim Santos ingressou na Polícia Militar da Bahia em 2011, onde servia na Companhia Independente de Policiamento Especializado (Cipe), unidade especializada em patrulhamento rural e operações de alto risco na Chapada Diamantina.

Como agente da Força Nacional, o militar participou de diversas missões de grande relevância em diferentes regiões do país, incluindo:

  • Proteção de terras indígenas na Amazônia
  • Operações nas terras indígenas Apyterewa e Trincheira Bacajá, no Pará
  • Ações na terra indígena Tekohá, no Mato Grosso do Sul
  • Combate ao tráfico de drogas na foz do Rio Amazonas
  • Retirada de invasores e proteção territorial de comunidades indígenas

Na Terra Yanomami, o agente integrava ações de proteção aos povos indígenas, apoio à retirada de invasores, preservação do território e restabelecimento da segurança na região afetada pelo garimpo ilegal.

Repercussão e homenagens

O Ministério da Justiça e Segurança Pública, ao qual a Força Nacional está vinculada, divulgou nota de pesar pela morte de Serafim. O ministro Wellington César expressou solidariedade à família e amigos da vítima, reiterando o compromisso do Governo Federal em prestar todo o apoio necessário aos familiares neste momento de dor.

A Polícia Militar da Bahia também lamentou a morte do soldado, destacando em nota oficial que "o soldado Serafim deixa um legado pautado na lealdade, honra e fé, valores que nortearam sua trajetória na Corporação e marcaram sua dedicação ao serviço policial militar e à proteção da sociedade baiana".

Translado e informações pessoais

O corpo de Israel Serafim Santos será levado na madrugada de terça-feira, 24 de março, para a Bahia, estado natal do policial. O translado será feito em avião, com saída prevista de Boa Vista às 2h35, com destino a Salvador e posteriormente para Morro do Chapéu, cidade natal do policial, localizada no norte da Chapada Diamantina.

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O soldado Serafim, como era conhecido, deixou dois filhos e uma namorada. Sua trajetória de 13 anos de serviço público foi marcada por atuação em missões de alto risco em defesa da segurança nacional e proteção de comunidades vulneráveis, especialmente povos indígenas ameaçados por atividades ilegais na Amazônia.

A morte do policial ocorre em um contexto de intensificação das operações contra o garimpo ilegal na Terra Yanomami, onde o governo federal tem concentrado esforços para retirar invasores e proteger o território indígena, uma das áreas mais críticas de conflito socioambiental no país.