A Polícia Civil do Rio Grande do Sul desarticulou, na manhã desta terça-feira (28), uma central de golpes eletrônicos que operava como um call center clandestino em Porto Alegre. A ação, denominada Operação Linha Direta – Fase II, foi realizada pela Delegacia de Repressão ao Roubo de Veículos (DRV), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC).
Estrutura profissional e metas
Segundo a polícia, a quadrilha mantinha uma estrutura profissional, com quadros brancos que detalhavam metas de valores a serem roubados e bônus para os golpistas. As metas eram progressivas: a cada R$ 10 mil roubados, o golpista recebia R$ 50 de bônus, chegando a R$ 1 mil para quem atingisse R$ 50 mil. Ao final, um recado motivacional dizia: "confio na equipe".
No bairro Jardim Itu, na capital, os policiais flagraram quatro mulheres aplicando golpes por telefone. Foram apreendidos 44 celulares, centenas de chips, um notebook com listas de vítimas e cadernos com roteiros de abordagem.
Investigação e prisões
A operação é um desdobramento de investigações iniciadas em dezembro de 2025, quando a primeira fase prendeu 17 pessoas e apreendeu um adolescente em Cachoeirinha. Após a primeira ofensiva, o grupo tentou se reorganizar, mas foi novamente alvo da polícia.
Seis pessoas foram presas em flagrante, incluindo um casal apontado como coordenador do esquema, detido no bairro Sarandi. Os presos responderão por estelionato qualificado por meio eletrônico, associação criminosa e corrupção de menores.
Modus operandi
De acordo com a delegada Jeiselaure Rocha de Souza, a quadrilha era estruturada, com divisão clara de tarefas e atuação em escala estadual e nacional. Os criminosos se passavam por funcionários de bancos para convencer vítimas de que suas contas haviam sido invadidas, induzindo-as a transferir dinheiro para contas dos golpistas. O foco era em pessoas vulneráveis, especialmente idosos ou com pouco letramento digital. O prejuízo estimado é de milhões de reais.



