Buscas por crianças desaparecidas no Maranhão seguem com força-tarefa menor após 23 dias
As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, completaram 23 dias nesta segunda-feira (26) com uma mudança significativa na estratégia. Após varreduras extensivas sem resultados concretos, as autoridades anunciaram que a força-tarefa será reduzida, enquanto a investigação policial ganha mais intensidade.
Denúncia em São Paulo é descartada pela polícia
A Polícia Civil de São Paulo esclareceu que não procede a informação de que as crianças teriam sido vistas em um hotel no Centro da capital paulista. Equipes foram até o endereço apontado na denúncia e constataram que as crianças encontradas não são as mesmas que estão desaparecidas desde o dia 4 de janeiro.
O desaparecimento ocorreu no povoado São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão. Em nota oficial, a Divisão Antissequestro do DOPE afirmou que os policiais, cientes da denúncia, foram aos endereços informados e confirmaram a não identificação das vítimas.
Mudança na estratégia das buscas
Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), as buscas passaram por uma reavaliação na última semana. Isso ocorreu após o depoimento do primo de 8 anos que estava com as crianças e com a ausência de vestígios nas áreas vasculhadas.
O secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, explicou que o trabalho continua, mas com foco diferente:
- A Polícia Militar e a Polícia Civil intensificarão as atividades do inquérito
- Buscas localizadas serão feitas ou refeitas conforme necessidade
- Equipes permanecem em prontidão para retomar operações em locais específicos
Protocolo Amber Alert em ação
Entre os recursos utilizados nas buscas está o protocolo Amber Alert, coordenado pela Polícia Civil do Maranhão. Este sistema emite alertas emergenciais em casos de desaparecimento ou sequestro de crianças, utilizando plataformas da Meta, como Facebook e Instagram.
O alerta é ativado por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e permanece ativo no feed de usuários em um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento. De acordo com o MJSP, o protocolo é utilizado de forma excepcional, quando há indícios de que a criança ou adolescente esteja em risco de morte ou de lesão corporal grave.
Extensão das operações realizadas
Nos primeiros 20 dias de buscas, a força-tarefa percorreu mais de 200 quilômetros em operações por terra e por água. As áreas vasculhadas incluíram:
- Mata fechada e de difícil acesso
- Rio Mearim e lagos da região
- Comunidades rurais e povoados próximos
Mais de mil pessoas participaram das ações, incluindo agentes das forças de segurança estadual e federal, além de voluntários. As buscas no rio Mearim seguem em andamento, com equipes especializadas em prontidão para atuar em áreas de mata e lago.
Contribuição do menino de 8 anos
Após 14 dias internado, o menino de 8 anos que ficou cerca de três dias desaparecido na mata recebeu alta hospitalar e foi autorizado pela Justiça do Maranhão a participar das buscas pelos primos. Suas informações ajudaram a reconstruir parte do trajeto feito pelas crianças dentro da mata.
Um dos locais citados por ele foi a chamada "casa caída", onde cães farejadores confirmaram a passagem das crianças. O local fica a cerca de 3,5 km em linha reta da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, mas considerando obstáculos naturais, a distância percorrida pode chegar a aproximadamente 12 km.
Apelo contra fake news
O secretário Maurício Martins usou as redes sociais para alertar sobre a disseminação de notícias falsas sobre o caso. Ele afirmou que todas as pessoas ouvidas até o momento foram na condição de testemunhas e que qualquer informação diferente disso é falsa.
"É inaceitável e irresponsável a disseminação de notícias falsas sobre o desaparecimento das crianças no quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal. Boatos apenas ampliam a dor da família e prejudicam diretamente os trabalhos de busca", declarou o secretário.
Martins reforçou que espalhar boatos ou repassar informações falsas às forças de segurança é crime, e que as informações oficiais sobre o caso são divulgadas por meio de porta-vozes autorizados ou de notas oficiais.
Investigação em andamento
Uma comissão especial de segurança, composta por dois delegados de São Luís e uma delegada de Bacabal, conduz o inquérito, que já ultrapassa 200 páginas. As autoridades mantêm a esperança de encontrar as crianças e seguem trabalhando com todos os recursos disponíveis.
Enquanto as buscas físicas são reduzidas, a investigação policial ganha novo foco, analisando cada pista e depoimento com atenção redobrada. A comunidade local e familiares aguardam ansiosamente por notícias que possam levar ao paradeiro dos pequenos Ágatha e Allan.