Operação de busca por crianças desaparecidas em Bacabal entra no 17º dia com tecnologia de ponta
As forças de segurança do Maranhão intensificam as buscas por duas crianças desaparecidas na zona rural de Bacabal. Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, estão desaparecidos desde o dia 4 de janeiro, após saírem para brincar em uma região de mata próxima ao quilombo São Sebastião dos Pretos.
Restrições e foco nas operações
Nesta terça-feira (20), as autoridades decidiram restringir o acesso à área das buscas, permitindo apenas a entrada de integrantes da força-tarefa. A medida visa otimizar as operações e evitar interferências externas, incluindo a imprensa, que também teve o acesso limitado durante a manhã.
As buscas estão concentradas em um trecho específico onde cães farejadores detectaram a presença das crianças. A região inclui áreas de mata densa e o rio Mearim, local que tem sido alvo de varreduras minuciosas.
Tecnologia avançada da Marinha
A Marinha do Brasil trouxe equipamentos de última geração para auxiliar nas buscas. O side scan sonar, um dispositivo que mapeia áreas submersas por meio de ondas sonoras, está sendo utilizado para escanear um trecho de 1 km do rio Mearim.
O capitão Simões Júnior, da Capitania dos Portos do Maranhão, explica que o equipamento funciona como um "raio-x" do fundo do rio, produzindo imagens nítidas em tempo real, independentemente da turbidez da água. Este mesmo sonar foi empregado nas buscas após o desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek em dezembro de 2024.
Além do sonar, a Marinha conta com uma voadeira e uma moto aquática, totalizando 11 militares dedicados à operação. O equipamento pode identificar objetos submersos, mudanças no terreno e alterações na visibilidade da água, acelerando significativamente o processo de busca.
Dificuldades e estratégias de varredura
As condições do rio Mearim apresentam desafios consideráveis para as equipes. A baixa visibilidade, a presença de árvores caídas e a forte correnteza dificultam o trabalho dos mergulhadores, motivo pelo qual o apoio da Marinha foi solicitado.
Para garantir uma cobertura completa, as equipes adotaram uma estratégia de varredura por quadrantes. Cada quadrante possui aproximadamente 90 mil metros quadrados, e dos 45 quadrantes delimitados, 25 já foram totalmente vistoriados. O major Pablo Moura Machado, do Corpo de Bombeiros do Maranhão, enfatiza que a busca está sendo feita "metro por metro, centímetro por centímetro" para assegurar que nenhuma área seja negligenciada.
Investigações paralelas e depoimentos
Paralelamente às buscas, a Polícia Civil do Maranhão mantém uma investigação ativa para reunir informações que possam levar à localização das crianças. Uma comissão formada por oito delegados e investigadores está à frente do inquérito.
Na segunda-feira (19), agentes da Secretaria de Segurança Pública (SSP-MA) visitaram uma vila de pescadores no povoado São Raimundo, próximo ao local onde Anderson Kauã, de 8 anos, foi encontrado há 12 dias. Anderson é primo das crianças desaparecidas e estava com elas no momento do desaparecimento.
Os pescadores foram ouvidos como testemunhas, uma vez que não há indícios de envolvimento deles no caso. A intenção é coletar o máximo de informações possíveis para auxiliar nas buscas.
Contexto geográfico e logístico
O rio Mearim é a maior bacia fluvial do Maranhão, com um vale de 98.289 km², equivalente a 29,6% do território estadual. A bacia abrange 84 municípios, sendo 50 totalmente inseridos no vale, o que demonstra a complexidade logística das operações.
Mais de mil pessoas participam das buscas, incluindo profissionais do ICMBio, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Polícia Militar, Guarda Municipal, Exército Brasileiro e voluntários. As equipes devem permanecer na região por pelo menos 10 dias, com possibilidade de prorrogação conforme a evolução das operações.
O Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA) também está presente em Bacabal, oferecendo suporte psicológico e social aos familiares das crianças desaparecidas.