Moradores de Porto Ferreira denunciam abate clandestino em chácara vizinha
Moradores de um condomínio no bairro Jardim Porto Novo, em Porto Ferreira (SP), enfrentam transtornos constantes devido a uma chácara vizinha que, segundo eles, é utilizada para abate clandestino de animais. O cheiro de carniça, a presença de urubus e de bichos peçonhentos, além do barulho dos animais, são algumas das reclamações.
A equipe de reportagem da EPTV, afiliada da TV Globo, conseguiu acesso à sacada de uma residência no condomínio, localizada ao lado da chácara. De lá, foi possível filmar o imóvel, mas a vegetação densa dificulta a visualização. Conforme os moradores, galpões antigos nos fundos do quintal da chácara são usados para o abate irregular.
“À noite a gente escutava barulhos de caminhões e a gente via os caminhões entrando, colocando animal e tirando animal”, relatou a comerciante Renata Oliveira.
Histórico de abates irregulares
Não há qualquer placa indicando que o local é regularizado para abate. Renata contou que, há alguns anos, cabeças de gado eram abatidas ali. “Ele marretava a cabeça dos animais.” No ano passado, o proprietário teria retomado a atividade, agora com porcos. “Era uma gritaria total e, geralmente, era de final de semana”, afirmou.
Além do barulho, o mau cheiro é insuportável para quem mora perto. “O cheiro era uma coisa insuportável. Então rato, muito urubu porque ele deixa a carcaça tudo aí em uma vala enorme. Ele joga e fica tudo a céu aberto”, disse Renata.
O comerciante Leandro Gentina também destacou que o abate irregular atrai bichos peçonhentos para as residências vizinhas. “Apareceu aquela aranha grandona de pular, a armadeira.”
Reclamações e fiscalização
Os vizinhos procuraram a prefeitura e protocolaram solicitações para resolver o problema. O órgão acionado foi o de Proteção e Bem-Estar de Animais Domésticos. Na reclamação, os moradores pediam fiscalização devido aos barulhos intensos durante a noite, ao cheiro forte e à presença de urubus, indicando a possibilidade de um abatedouro no local.
O médico veterinário da prefeitura, Fernando César Gonçalves, realizou uma vistoria e constatou que os animais estavam em ambiente inadequado, confirmando o odor desagradável. O proprietário foi orientado sobre as providências necessárias. Um mês depois, em nova vistoria, a situação foi considerada resolvida. No entanto, os moradores afirmam que o proprietário agora está abatendo frangos.
“É uma carniça, uma coisa horrorosa. E agora é uma questão, também, de saúde pública porque quem está comendo essas carnes?”, questionou Renata.
Carros abandonados e outros problemas
Além do abate, os moradores estão insatisfeitos com 11 carros velhos abandonados em outro canto da chácara, junto ao muro do condomínio. “É um ambiente propício para escorpião, aranha, cobra”, disse Leandro.
Os moradores tentaram dialogar com o proprietário, mas ele não colaborou. “Ele bem simpático, como se nada acontecesse aqui. Ele se esquiva das perguntas que a gente faz, quis marcar uma reunião com a gente, mas nunca marca”, relatou Renata.
Posicionamento da prefeitura
A Secretaria de Meio Ambiente e Zeladoria (Semaz) informou que já realizou fiscalizações no imóvel após denúncias. A primeira ocorrência foi registrada em 7 de novembro de 2025, pela Ouvidoria. Em diligência em 11 de novembro de 2025, com apoio da Guarda Civil Municipal (GCM), foram identificados porcos e galinhas mantidos em condições insalubres. O responsável foi orientado.
Nova vistoria em 15 de dezembro de 2025 constatou a regularização. Porém, uma nova denúncia foi registrada em 2 de abril de 2026. Desde então, equipes da Semaz realizaram diversas diligências, mas não localizaram o dono do imóvel. “Diante disso, foi emitida, nesta data, notificação por carta registrada (AR), com prazo de cinco dias para manifestação do responsável, a fim de viabilizar nova vistoria e adoção das medidas cabíveis previstas em Lei”, informou a prefeitura.
A administração municipal afirmou que a Semaz segue acompanhando o caso e adotará as providências necessárias conforme a legislação vigente. A equipe de reportagem da EPTV não conseguiu contato com o proprietário da chácara.



