68,7 milhões de brasileiros vivem sob influência do crime organizado
68,7 milhões convivem com crime organizado

Uma pesquisa inédita do Datafolha, divulgada nesta terça-feira (12), aponta que 68,7 milhões de brasileiros, o equivalente a mais de 40% da população, convivem diretamente com a influência do crime organizado em seu cotidiano. O estudo revela como facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), impactam a rotina dos cidadãos, desde a segurança nos bairros até a economia local.

Influência das facções no dia a dia

De acordo com a pesquisa, as organizações criminosas não se limitam a áreas periféricas, mas estendem sua atuação a regiões centrais de grandes cidades. Entre os casos mais comuns relatados estão a cobrança de taxas de segurança informal, a imposição de regras de convivência e a restrição de horários para circulação. Em algumas comunidades, o crime organizado substitui o Estado na prestação de serviços básicos, como mediação de conflitos e até fornecimento de gás.

Dados alarmantes

O levantamento, realizado com mais de 10 mil entrevistados em todas as regiões do país, mostra que 35% dos brasileiros já presenciaram ações diretas de facções, como tiroteios ou ameaças. Além disso, 22% afirmam que parentes ou amigos próximos já foram coagidos por criminosos. A segurança pública é apontada como a principal preocupação, superando saúde e educação.

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Segurança pública em xeque

Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a expansão do crime organizado está ligada à fragilidade do sistema prisional e à falta de políticas públicas eficazes. O PCC, por exemplo, consolidou-se como uma das maiores facções do país, com atuação em mais de 20 estados. A pesquisa do Datafolha reforça a necessidade de ações integradas entre governos federal, estadual e municipal para combater o avanço desses grupos.

Casos mais comuns

Entre os crimes mais frequentes associados ao crime organizado estão o tráfico de drogas, a extorsão, o roubo de cargas e a lavagem de dinheiro. A pesquisa também aponta que 18% dos entrevistados já pagaram ou conhecem alguém que pagou taxas a facções para garantir segurança em seus negócios. A situação é mais grave nas regiões Norte e Nordeste, onde a presença de milícias e facções é mais intensa.

Impacto na economia

O crime organizado também afeta a economia local, especialmente em pequenos comércios. Muitos empresários relatam que precisam pagar ‘proteção’ para evitar ataques ou roubos. Isso eleva os custos e reduz a competitividade, gerando um ciclo de informalidade e violência. A pesquisa do Datafolha é um alerta para a urgência de medidas que recuperem o controle do Estado sobre territórios dominados por facções.

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