Julgamento histórico: réus por assassinato de advogado no Centro do Rio enfrentam Tribunal do Júri
O Tribunal do Júri da Capital do Rio de Janeiro iniciou nesta quinta-feira, 5 de março de 2026, o julgamento dos três homens acusados de assassinar o advogado Rodrigo Marinho Crespo em fevereiro de 2024. O crime ocorreu na Avenida Marechal Câmara, próximo à sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no Centro da cidade, e os réus respondem por homicídio qualificado.
Os acusados e as investigações
Os três réus são:
- Leandro Machado da Silva, conhecido como "Cara de Pedra", apontado como fornecedor dos veículos usados no crime e que era policial militar na época, sendo afastado após virar réu.
- Cezar Daniel Mondego de Souza, o "Russo", encarregado de seguir cada movimento do advogado.
- Eduardo Sobreira de Moraes, motorista do carro utilizado para monitorar a vítima no dia do assassinato.
As investigações revelaram que o grupo se reuniu antes e depois do crime, perto do batalhão onde Leandro trabalhava. Anotações com as placas dos veículos de Rodrigo foram encontradas no celular de um dos investigados, mostrando que o monitoramento começou em outubro de 2023, meses antes do homicídio. O autor do disparo fatal ainda não foi identificado.
Possível motivação ligada a apostas online
Segundo o Ministério Público do Rio, a hipótese é que a atuação profissional de Rodrigo estivesse atrapalhando os interesses de uma organização criminosa focada em jogos de apostas online. A denúncia indica que o homicídio teria ocorrido para garantir a execução ou vantagem de outros crimes praticados por essa facção.
Em vida, Crespo demonstrou interesse em investir no setor, planejando abrir um estabelecimento chamado "Sporting Bar", onde as pessoas poderiam assistir a eventos esportivos e realizar apostas, com máquinas eletrônicas conectadas à internet semelhantes a caça-níqueis.
Ligação com bicheiro Adilsinho
O delegado Rômulo Assis, responsável pelas investigações, afirmou que o veículo utilizado no assassinato pertencia a uma locadora com ligação a Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, bicheiro preso em uma mansão em Cabo Frio no fim de fevereiro de 2026. Assis destacou que a autoria intelectual do crime ainda está sob investigação, sugerindo possíveis conexões mais amplas.
Andamento do julgamento
Na primeira sessão do júri, vinte testemunhas estão sendo ouvidas, com previsão de sentença para sexta-feira, 6 de março. A primeira a depor foi Isadora Strapazzon, namorada de Rodrigo na época, que deu seu testemunho por videoconferência. Ela afirmou que a vítima, como advogado, tinha vontade de legalizar os jogos de apostas online no Brasil, reforçando o contexto profissional que pode ter motivado o crime.
O caso, que chocou a comunidade jurídica carioca, continua a atrair atenção pública, com o julgamento sendo visto como um marco na luta contra o crime organizado ligado ao setor de apostas.



