Violência por motivos banais: cliente agride atendente por cebola no sanduíche
Violência banal: agressão por cebola em sanduíche

Cliente agride atendente de drive-thru após erro com cebola no pedido no DF

O Fantástico deste domingo exibiu cenas de descontrole em que desentendimentos por motivos banais terminam em violência e até assassinato. Basta uma frustração, um erro ou um simples “não” para que a resposta seja uma explosão de fúria.

Agressão no drive-thru do McDonald's

Na madrugada de sexta-feira, 1º de maio, em um McDonald's da Asa Norte, em Brasília, uma cliente fez um pedido no drive-thru: queria o sanduíche sem cebola, mas recebeu com cebola. As imagens mostram Huíla Borges Klanovichs na janela onde está Gisley Fernandes Miranda, a atendente da lanchonete. As duas conversam, a atendente entrega um novo sanduíche, Huíla pega o lanche, troca o pacote de mão e dá um tapa no rosto de Gisley. Em seguida, arranca a touca dela e a lança contra a atendente.

Na delegacia, foram registradas duas versões. Huíla, funcionária da ONU, contou que pediu um sanduíche sem cebola por ter alergia grave, que voltou ao guichê e foi tratada de forma desrespeitosa, e que a conversa terminou em desentendimento. Huíla não cita, no depoimento, o tapa registrado pelas câmeras. A atendente descreveu outra cena: disse que recolheu o sanduíche, foi à cozinha e voltou com um novo, sem cebola, mas a troca não encerrou a discussão. Em algum momento, o sanduíche deixou de ser o problema, pois, segundo Gisley, Huíla passou a exigir um pedido formal de desculpas e, nesse momento, foi agredida com o tapa no rosto. O registro policial é de lesão corporal.

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Em nota ao Fantástico, Huíla lamentou o ocorrido e afirmou que responderá dentro dos termos legais. O Escritório da ONU informou que a funcionária ficará afastada até o desdobramento das investigações. O McDonald's repudiou qualquer forma de violência. O delegado da Polícia Civil, Bruno Dias, afirmou: “A atendente errou, assumiu que errou, fez a troca do produto e ainda assim a autora quis um pedido de desculpa formal e aí começou um desentendimento entre elas e ela desferiu aqueles tapas que a gente vê no vídeo.”

Agressão em salão de beleza em São Paulo

Na Zona Oeste de São Paulo, em uma tarde de terça-feira, uma cliente insatisfeita com o resultado de um procedimento voltou a um salão de beleza para reclamar. Por muito pouco, e graças à agilidade do gerente Felipe, o cabeleireiro Eduardo Ferrari não foi esfaqueado. A disposição de Laís para cometer um crime não foi uma reação impulsiva, pois o atendimento havia sido feito quase um mês antes. Em vídeos nas redes sociais, Laís, ainda contida por funcionários e um segurança, tenta transformar a insatisfação com o cabelo em justificativa para a violência: “A minha franja tá parecendo cebolinha porque ele cortou todo meu cabelo”. Eduardo diz que não houve corte, apenas mechas no dia 7 de abril. “No dia ela não demonstrou nenhum tipo de insatisfação, inclusive postou foto nas redes sociais, a foto do Instagram dela até antes de ontem era o cabelo.”

Segundo depoimentos à Polícia Civil, Laís Gabriela Barbosa da Cunha realizou um procedimento de mechas e texturização no cabelo no salão Casa Ferrare, na Avenida Marquês de São Vicente, na Barra Funda, em 7 de abril. A reclamação começou no dia 13 de abril, quase uma semana depois. Nas primeiras mensagens, ela diz: “O cabeleireiro cortou meu cabelo sem eu pedir. Agora meu cabelo está horrível”. No dia seguinte, o tom escala para insultos homofóbicos e ameaças. Ela usa a expressão “viado desgraçado” e completa: “minha vontade era de ir aí e colocar fogo em você”. O gerente do salão, Felipe, relatou: “Então, eu reparei na hora que ela abriu a bolsa. Foi muito rápido. Então, foi muito chocante pra gente.” Eduardo afirmou: “Eu provavelmente não estaria aqui agora para estar dando essa entrevista para vocês”.

O caso foi registrado como lesão corporal leve, mas a polícia de São Paulo pode reavaliar juridicamente. A advogada de Eduardo diz que já está adotando medidas para tentar responsabilizar Laís por homofobia e tentativa de homicídio qualificado. A defesa de Laís disse que ela foi diagnosticada com transtorno psicótico agudo e transitório, que está abalada e que portava uma faca por ter sido vítima de assalto na região.

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Discussão em restaurante no Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, na madrugada de sábado, 2 de maio, uma discussão em um restaurante da Zona Sul começou por causa da cobrança de uma taxa para clientes que levam suas próprias garrafas de vinho. O conflito terminou em atos violentos, incluindo arremesso de uma cadeira e uma garrafa. Na mesa ao fundo estavam o cantor Ed Motta e amigos. O grupo levou sete garrafas de vinho e consumiu cinco. Os amigos do cantor já tinham pago a conta — mais de sete mil reais — quando Ed Motta passou a questionar a taxa de rolha de cem reais por garrafa. Os responsáveis pelo restaurante afirmam que, como cortesia, Ed Motta não paga a taxa quando está sozinho, mas sabe que a cobrança é feita em grupo. Irritado, o cantor discutiu com funcionários e arremessou uma cadeira no salão.

Um funcionário da equipe relatou: “Começa os xingamentos, falando, ah, vou embora antes que eu faça alguma coisa com um desses paraíba. Vai tomar no seu c..., seu filho da p..., paraíba, nunca mais eu volto aqui.” Ed Motta esbarrou na mesa vizinha e derrubou a bolsa de uma mulher. O cantor foi embora, mas os amigos permaneceram e discutiram com os clientes da outra mesa. Um dos amigos, Diogo Coutinho do Couto, partiu na direção de um dos homens, enquanto outro amigo, Nicholas Guedes Coppim, pegou uma garrafa e deu um soco no mesmo homem. Quando a vítima já estava saindo, Nicholas arremessou a garrafa contra ele. A garrafa tinha o dobro do tamanho normal. A vítima não quis ser identificada por medo de retaliações. A defesa dele afirmou em nota que o ato foi covarde e demonstra violência inaceitável. Após a confusão, os amigos de Ed Motta voltaram para a mesa e fizeram um último pedido a um dos garçons: “Aí ele falou, coloca num balde com gelo o espumante que a gente vai beber”, conta o funcionário. Clientes chamaram a polícia, mas os amigos do cantor saíram antes. Nicholas foi procurado, mas não atendeu mais o telefone após um breve contato. A defesa de Ed Motta negou agressão por parte dele e disse que o artista saiu indignado devido ao atendimento. O advogado de Nicholas Coppim afirmou que o cliente está à disposição das autoridades, assim como a defesa de Diogo Couto, que informou que o cliente repudia qualquer ato de violência. A polícia registrou a agressão como lesão corporal.

Análise de especialista

Para o psicanalista e professor da USP Cristian Dunc, “a nossa convivência social está mais agressiva, mais intolerante. E essa leitura faz com que as pessoas se autorizem a serem mais agressivas, menos educadas. Ela se torna uma questão de vida ou morte.”

Tragédia no Rio: passageira morta por tiro após discussão no trânsito

Atos de violência descabidos por motivos banais colocam vidas em risco e bastam segundos de descontrole para provocar uma tragédia. Foi o que aconteceu na sexta-feira, no Rio, quando um carro de aplicativo fez uma manobra irregular e o motorista de um carro branco, irritado, sacou uma arma e atirou. O motorista de aplicativo relatou: “Ele começou a me xingar, a gritar. Não devolvi as agressões. E quando eu saí com o carro do lado dele, ele, por sua vez, achou por bem atirar.” O tiro acertou as costas da passageira Thamires Rodrigues de Souza Peixoto, de 28 anos, que morreu no hospital. O autor do disparo é o policial civil Freder Uilson, que está preso e tem seis anotações criminais por violência doméstica e lesão corporal. Na delegacia, ele disse que atirou porque pensou que era um assalto. O motorista descreveu os últimos momentos: “Meu carro estava de costas. Ele atirou para trás. Ela já estava desfalecendo. ‘Pelo amor de Deus, não me deixa morrer. Eu tenho duas filhas pequenas.’” Thamires foi enterrada no dia do aniversário de 4 anos de sua filha mais nova. Sua mãe lamentou: “O que vai ser das minhas netas? Me dê forças meu pai...”