Polícia identifica quatro envolvidos em assassinato encomendado por facção em Vila Velha
A polícia civil do Espírito Santo identificou, nesta terça-feira (27), quatro homens envolvidos no assassinato do detento Marcelo da Silva Fernandes, conhecido como Marcelo Carioca. O crime ocorreu no dia 4 de agosto de 2025, quando a vítima saía da Casa de Custódia de Vila Velha, na Grande Vitória, para trabalhar. Segundo investigações, a morte foi encomendada por uma facção criminosa rival.
Suspeitos identificados e prisões decretadas
Os quatro suspeitos foram identificados e a Justiça já decretou a prisão preventiva de todos. Eles serão indiciados pelo crime de homicídio. Entre os envolvidos, um já está preso, enquanto os outros três permanecem foragidos.
- Izaque Ferreira Gonçalves, 27 anos: está preso e foi responsável por auxiliar na fuga dos executores do crime.
- Maurício Ferreira Pereira Junior, 30 anos: emprestou o veículo e forneceu o armamento utilizados no assassinato.
- Luiz Carlos Reis Santos, 42 anos: apontado pela polícia como um dos executores diretos do crime.
- Gilcleydson de Oliveira Pereira, 35 anos: também identificado como executor do homicídio.
Detalhes do crime e contexto da rivalidade
Marcelo da Silva Fernandes foi morto por volta das 6h30 da manhã, quando foi surpreendido por três homens armados. Os criminosos chegaram em um carro clonado, emprestado por Maurício, e efetuaram vários disparos contra a vítima, que tentou fugir, mas acabou sendo atingida e morreu no local. A brutalidade do ataque assustou moradores, comerciantes e trabalhadores da região da Glória, em Vila Velha.
Após o crime, os executores fugiram no mesmo veículo, que foi abandonado minutos depois. Izaque, que é integrante do Terceiro Comando Puro (TCP) em Ibiraçu, no norte do estado, deu suporte aos criminosos, levando-os até o morro do Jaburu, em Vitória.
Histórico da vítima e disputa entre facções
A vítima, Marcelo da Silva Fernandes, tinha passagens pela polícia desde 2011, por crimes como homicídio, tráfico de drogas e porte ilegal de armas. Natural do morro do Jaburu, em Vitória, ele foi expulso da comunidade em 2016 devido a uma disputa do tráfico local e passou a morar em Goiás.
Em 2021, Marcelo retornou ao Espírito Santo e se aliou ao Primeiro Comando de Vitória (PCV), que comandava o bairro Jesus de Nazareth. Já o morro do Jaburu era controlado pelo Terceiro Comando Puro (TCP). Em abril de 2024, Marcelo planejou um ataque para que os traficantes do Nazareth tomassem o Jaburu, resultando em um confronto com a polícia que deixou cinco traficantes mortos. Na mesma operação, ele foi preso por porte ilegal de arma, condenado e começou a cumprir pena no sistema prisional.
Em maio de 2025, Marcelo progrediu para o regime semiaberto e passou a cumprir pena na Casa de Custódia de Vila Velha, onde tinha autorização para sair para trabalhar. Esse movimento facilitou o monitoramento por parte de rivais do tráfico, integrantes da mesma facção que comanda o Jaburu. O assassinato é visto pela polícia como uma espécie de vingança pela tentativa de invasão ao morro.
Investigações em andamento
A polícia continua as investigações para identificar um terceiro homem que participou diretamente do crime e ainda não foi localizado. Testemunhas relataram que a vítima era alvo de rivais do tráfico, e lojas e casas da região também foram atingidas pelos disparos durante o ataque. Um vídeo divulgado pela Polícia Civil mostra a abordagem e a fuga dos criminosos, reforçando as evidências contra os suspeitos.
O caso evidencia a violência e as disputas entre facções criminosas no estado, com repercussões diretas na segurança pública de Vila Velha e região metropolitana.