Operação desmantela esquema de furto de petróleo em dutos da Transpetro dentro de haras da família Garcia
Uma operação policial de grande porte desbaratou uma organização criminosa especializada no furto milionário de petróleo de dutos da Transpetro, localizados dentro de um haras pertencente à tradicional família Garcia, em Guapimirim, região metropolitana do Rio de Janeiro. As investigações, conduzidas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e pela Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), apontam para um prejuízo que ultrapassa a marca de R$ 6 milhões com os desvios de combustível.
Estrutura criminosa sofisticada e atuação interestadual
De acordo com as autoridades, o grupo operava com uma estrutura funcional altamente organizada, contando com divisão clara de tarefas, hierarquia operacional e articulação que se estendia por múltiplos estados brasileiros. O ciclo criminoso, descrito como "integrado", iniciava com a perfuração clandestina dos dutos da Transpetro que passavam pela propriedade rural.
O ponto de extração ilegal era protegido por seguranças fortemente armados, pertencentes à quadrilha. Em uma das apreensões, a polícia confiscou de um suspeito uma pistola, uma escopeta, munições e celulares, evidenciando o aparato de vigilância e defesa.
Após a retirada do produto, o petróleo era rapidamente transferido para caminhões-tanque adaptados, que realizavam o transporte interestadual, dificultando o rastreamento e ampliando significativamente o alcance das atividades ilícitas. A comercialização do combustível furtado era feita utilizando notas fiscais falsas, completando o esquema fraudulento.
Sete presos, mas família Garcia não é alvo das investigações
Nesta quinta-feira, 22 de agosto, a operação resultou na prisão de sete indivíduos, todos identificados como locatários do espaço onde funcionava o haras. Os nomes dos detidos são:
- Caio Victor Soares Diniz Ferreira
- Elton Félix de Oliveira
- Jairo Lopes Claro
- Leandro Ferreira de Oliveira
- Patrick Teixeira Vidal
- Washington Tavares de Oliveira
- Davison Luis Senhorini
É importante destacar que, até o momento, não há mandados de prisão ou busca e apreensão contra membros da família Garcia. As investigações não encontraram evidências concretas de que a família, historicamente ligada ao jogo do bicho e ao carnaval carioca, tivesse conhecimento ou participação no esquema de furto. O haras em questão pertence às gêmeas Shanna e Tamara Garcia, filhas de Waldomiro Paes Garcia, o Maninho, ex-patrono da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, e estava arrendado para terceiros.
Operação abrange oito estados e revela volume apreendido
A ação policial, batizada a partir de uma prisão em flagrante ocorrida ainda em 2024, foi executada de forma coordenada em oito estados brasileiros: Rio de Janeiro, São Paulo, Maranhão, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Sergipe. No total, foram cumpridos 13 mandados de prisão e 16 mandados de busca e apreensão.
Um dos flagrantes citados nas investigações, ocorrido em junho de 2024, revelou a magnitude do esquema. Policiais encontraram dentro da fazenda três caminhões-tanque, cada um carregado com 41 mil litros de petróleo, totalizando a impressionante quantia de 123 mil litros de combustível armazenados ilegalmente no local.
Riscos ambientais e histórico violento da família Garcia
Além do enorme prejuízo financeiro, o Ministério Público ressalta os graves riscos ambientais associados a esse tipo de crime. A perfuração irregular de oleodutos pode provocar vazamentos de grandes proporções, comprometendo ecossistemas sensíveis e colocando em perigo uma infraestrutura considerada estratégica para o país.
A família Garcia carrega um histórico marcado por violência. Shanna Garcia, uma das herdeiras do haras, foi alvo de um atentado a tiros em outubro de 2019, na Avenida das Américas. Seu pai, Waldomiro Paes Garcia, foi assassinado em 2004. Seu irmão, Myro Garcia, foi morto em 2017, e seu primeiro marido, José Luiz de Barros Lopes, conhecido como Zé Personal, foi executado em 2011.
O delegado Pedro Brasil, responsável pela investigação, afirmou que a operação conseguiu "desbaratar toda uma organização criminosa responsável pela extração desse material", destacando a importância do trabalho conjunto entre polícia e Ministério Público para combater crimes complexos de grande escala.