Polícia conclui inquérito e pede prisão preventiva da 'Rainha do Sul' na Bahia
A Polícia Civil da Bahia finalizou o inquérito que investigava Poliane França Gomes, conhecida como 'Rainha do Sul', apontada como advogada de uma facção criminosa no estado e considerada uma das figuras mais perigosas do tráfico no Nordeste. Ela e outras treze pessoas estão presas desde novembro do ano passado, após uma operação policial de grande porte.
Pedido de manutenção das prisões
Segundo informações oficiais, a Polícia Civil solicitou ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) que recomende a manutenção da prisão preventiva da advogada e de todos os detidos na operação. O órgão acatou o pedido e já ofereceu a denúncia à Justiça, aguardando decisão judicial sobre o caso.
Relação íntima com chefe da facção
As investigações revelaram que Poliane França manteve um relacionamento íntimo com o líder do grupo criminoso, atualmente preso no Presídio de Segurança Máxima de Serrinha, localizado a aproximadamente 190 quilômetros de Salvador. De acordo com a TV Bahia, o chefe da facção é Leandro de Conceição Santos Fonseca, conhecido pelo apelido de 'Shantaram', que está encarcerado desde 2013.
Papel estratégico na organização criminosa
A Polícia Civil destacou que a advogada era responsável por funções cruciais dentro da facção, incluindo:
- Transmissão de ordens estratégicas para membros do grupo.
- Reorganização de territórios controlados pela organização.
- Articulação de cobranças e negociações ilícitas.
- Manutenção de comunicação direta entre internos do presídio e lideranças externas.
Evidências apreendidas durante a operação
Durante o cumprimento do mandado de prisão, os policiais encontraram na residência da suspeita diversos itens que reforçam as acusações:
- Um colar com as iniciais 'RS' cravejadas em diamantes e o apelido 'Querido', atribuído ao chefe da facção Bonde do Maluco, confeccionado em ouro.
- Outro colar de ouro com a imagem de um leão e a frase: 'muitos nasceram para viver na selva e eu para ser o rei com minha rainha'.
- R$ 190 mil em espécie e uma máquina de contar dinheiro, indicando possível envolvimento com lavagem de capitais.
Amplitude da operação policial
A operação que resultou nas prisões foi realizada em escala nacional, com a execução de catorze mandados de prisão e vinte e cinco de busca e apreensão nos estados da Bahia, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Três indivíduos que tiveram mandados cumpridos já se encontravam presos anteriormente.
Na Bahia, os alvos incluíam:
- Responsáveis pela contabilidade do tráfico de drogas.
- Gerentes territoriais que comandavam áreas em cidades como Feira de Santana, Lauro de Freitas, Camaçari e Salvador.
- Operadores encarregados do transporte, armazenamento e distribuição de drogas e armas.
Patrimônio bloqueado e apreendido
Além das prisões, a operação resultou em apreensões significativas:
- R$ 1 milhão em joias de ouro foram confiscadas.
- A Justiça autorizou o bloqueio de R$ 100 milhões em contas bancárias ligadas ao grupo.
- O uso de bens avaliados em R$ 1 milhão foi proibido, incluindo sete veículos, uma moto aquática, um haras com cavalos de raça e uma usina de energia solar.
O caso continua sob análise judicial, com expectativa de decisão sobre a manutenção das prisões preventivas nos próximos dias.