Uma nova área de lazer utilizada por criminosos foi descoberta pela Polícia Civil do Rio de Janeiro durante uma operação realizada nesta quarta-feira, 7 de janeiro de 2026. O local, equipado com piscina, churrasqueira e quadra esportiva, é atribuído à facção Terceiro Comando Puro (TCP) e ao seu líder, o traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão.
O "resort" do crime na comunidade Buraco do Boi
A ação policial, parte da Operação Torniquete, desvendou o espaço na comunidade Buraco do Boi, no município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. As imagens divulgadas pela corporação mostram uma estrutura de lazer completa, situada próxima a uma mata que servia de esconderijo para integrantes da facção.
Nas paredes do local, pichações com imagens de peixes e da Estrela de Davi, símbolos associados a Peixão, deixavam clara a afiliação criminosa. Inscrições como "exército de Israel" e "Deus de Israel" também foram encontradas, remetendo ao chamado Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio, que funciona como um quartel-general do traficante.
Essas referências religiosas são uma marca registrada de Peixão, que tem histórico de repressão a fiéis de religiões de matriz africana e a católicos nos territórios sob seu domínio.
Resultados da operação e objetivos da polícia
Na investida desta quarta-feira, três homens foram presos e um fuzil foi apreendido. O foco dos agentes é conter o tráfico de drogas na região, além de combater roubos de carga e de veículos, que são o alvo principal desta ofensiva.
A polícia também busca capturar o líder do grupo criminoso local, um indivíduo conhecido pelo apelido de "CB", que atua como subordinado direto de Peixão dentro da hierarquia do TCP.
De acordo com as investigações, os roubos de veículos e cargas são a principal fonte de financiamento das atividades do crime organizado. O dinheiro obtido custeia disputas territoriais e garante pagamentos a familiares de faccionados, estejam eles presos ou em liberdade.
Balanço da Força-Tarefa Cerco Total
A operação foi executada pela Força-Tarefa Cerco Total, que reúne agentes especializados de três delegacias da Baixada Fluminense: a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE-BF), a Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA-BF) e a Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC-BF).
Em nota, a Polícia Civil divulgou um balanço expressivo das ações realizadas desde setembro de 2024:
- Mais de 740 presos.
- Cargas e veículos recuperados, com valor avaliado em quase R$ 45 milhões.
- Bloqueio de bens e valores que já ultrapassa a marca de R$ 70 milhões.
A corporação reforçou que as ações são contínuas e fazem parte de uma estratégia ampla para desarticular as finanças e a logística das facções que atuam no estado do Rio de Janeiro. A descoberta deste complexo de lazer evidencia o poderio econômico e a ousadia dos grupos criminosos, que mantêm estruturas sofisticadas em áreas por eles dominadas.