Operação policial na Zona Norte do Rio mira membros do CV por tortura e assassinato de jovem
As polícias civil e militar iniciaram uma operação de grande porte nesta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, contra traficantes do Comando Vermelho (CV) envolvidos no caso de tortura e morte de um jovem ocorrido no ano passado. A ação teve início por volta das 5h30, com intensas trocas de tiros e sobrevoo de helicópteros nas áreas do Ipase, em Vila Kosmos, e nos morros do Juramentinho, Trem, Fé e Sereno, localizados no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Detalhes da operação e prisões efetuadas
A operação foi coordenada por múltiplas unidades policiais, incluindo a 27ª DP de Vicente de Carvalho, a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), o Departamento Geral de Polícia da Capital (DGPC), o Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE) e o Departamento Geral de Polícia do Interior (DGPI), em parceria com a Polícia Militar através do Comando de Operações Especiais (COE), Batalhão de Choque, Grupamento de Salvamento e Resgate (Gesar) e Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Os agentes cumpriram cinco mandados de prisão e sete de busca e apreensão, visando cinco indivíduos acusados diretamente pelo assassinato do jovem.
Até o momento, pelo menos dois suspeitos foram presos, e a polícia continua em busca de outros envolvidos em crimes como roubos, homicídios e atividades ligadas ao tráfico de drogas. A inteligência policial identificou locais utilizados para armazenar armas e drogas, e os agentes também buscam recuperar veículos e cargas roubadas na região.
Impactos na comunidade e serviços públicos
Em meio às trocas de tiros, a operação causou significativos transtornos à rotina local. Duas unidades municipais de saúde suspenderam temporariamente seus atendimentos, avaliando um retorno nas próximas horas, enquanto uma terceira restringiu atividades, incluindo a proibição de visitas familiares. Além disso, linhas de ônibus foram afetadas, com desvios nas rotas 313 (Penha x Tiradentes), 621 (Penha x Saens Peña), 622 (Penha x Saens Peña) e 679 (Grotão x Méier) para evitar as áreas de conflito.
Contexto histórico e investigações em andamento
A operação tem como base investigações conduzidas pela 27ª DP, que apontam para a atuação violenta do grupo criminoso, incluindo a instalação de barricadas em diversos bairros e disputas territoriais com o Terceiro Comando Puro (TCP) e milícias. Este caso relembra uma megaoperação realizada no ano passado no Complexo da Penha e do Alemão, que resultou em 119 mortos, 133 prisões – incluindo 33 indivíduos de outros estados – e a apreensão de 118 armas, entre fuzis, pistolas, revólveres e artefatos explosivos.
A investida atual reforça os esforços contínuos das forças de segurança no combate ao crime organizado no Rio de Janeiro, destacando os desafios persistentes na Zona Norte da cidade.