Operação Fim de Dança desmantela esquema do PCC com 'lojas' de drogas em Roraima
O Ministério Público (MP) de Roraima denunciou 30 pessoas integrantes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) por operar um esquema estruturado de "lojas" do tráfico de drogas no estado. Segundo a Polícia Civil, o grupo faturava aproximadamente R$ 1,5 mil por dia com a venda de entorpecentes.
Denúncia protocolada e estrutura hierárquica revelada
A ação penal foi protocolada na segunda-feira (23) na Vara Criminal Única da Comarca de Caracaraí, município localizado ao Sul do estado. Os investigados foram alvos da Operação Fim de Dança II, deflagrada pela Polícia Civil em novembro do ano passado. A investigação revelou uma atuação altamente organizada do grupo para o comércio de drogas em Roraima, com ligação direta à cúpula do PCC em São Paulo.
O esquema funcionava com uma divisão clara de funções, hierarquia interna rígida e controle rigoroso das chamadas 'lojas'. As provas coletadas incluem mensagens de aplicativo, áudios, vídeos e imagens extraídos dos celulares apreendidos durante a operação. Os criminosos são acusados pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Administração estadual e 'cofre central' de drogas
Segundo a denúncia, a operação da facção em Roraima era administrada por Rodrigo Alberto Xavier, conhecido como "Sorriso Maroto". Ele foi enviado diretamente pelas lideranças do grupo em São Paulo para reestruturar o PCC no estado e atuar como administrador estadual do esquema, na função denominada "Geral da FM". A prisão dele foi considerada o ponto de partida para a maior operação contra facções criminosas da Polícia Civil no estado.
Para ocultar os entorpecentes antes da distribuição, os criminosos utilizavam um esconderijo batizado de "cofre central". O local era um recipiente enterrado em uma área de mata na zona rural de Caracaraí, em uma propriedade alugada pela facção, onde foram localizados 3,3 quilos de cocaína.
Rede de 'lojas' e sistema financeiro sofisticado
Após saírem do esconderijo, as drogas abasteciam diversos pontos de venda, chamados pelos investigados de "biqueiras", "lojas" ou "lojinhas". Cada ponto possuía um nome específico e um responsável por gerenciar as vendas e prestar contas à cúpula. Segundo as investigações, pelo menos 55 pontos de vendas foram identificados em diferentes regiões de Roraima, sendo dez deles apenas em Caracaraí.
Cerca de 30% dos lucros ficava com os gerentes de cada ponto, enquanto o restante do dinheiro era enviado para a cúpula da facção em São Paulo. Entre as lojas e gerentes identificados na denúncia estão a "Rosinha" (de maior lucro), gerenciada por Cilara Rodrigues de Souza, a Kauany, namorada de Sorriso Maroto; a "Progresso", gerenciada por Cláudio Domingos da Silva; e a "Loja da Baixada", gerenciada por Guilherme Ramos Macedo.
Códigos, auditorias e operadores financeiros
Para maximizar o lucro e despistar a polícia, os denunciados dividiam funções, prestavam contas em vídeos de auditoria enviados aos superiores e usavam códigos para diferentes tipos de entorpecentes. As drogas eram identificadas nas mensagens como “CLARO” (pasta base), “PEIXE” (cocaína), “VIVO” (maconha prensada) e “OI” (skunk).
O dinheiro arrecadado era organizado por operadores financeiros especializados. A denunciada Larissa dos Santos Valentini, por exemplo, atuava como uma peça relevante nas finanças ao receber diversas transferências bancárias com valores incompatíveis com sua renda. Já Marcos Paulo Messias, o "Patrãozinho", era o responsável pelos balanços ou "fechamento das lojas" e realizava auditorias frequentes para controlar as quantias e drogas movimentadas pelos gerentes.
O documento apresentado à Justiça é um desdobramento da Operação Fim de Dança II, que apreendeu dezenas de celulares, cujas conversas e vídeos serviram como base para mapear completamente a estrutura do grupo. A maior parte dos denunciados já se encontra presa no estado de Roraima.