MP de Rondônia denuncia 25 pessoas por crimes graves em operação contra organização criminosa
O Ministério Público de Rondônia (MPRO) apresentou uma denúncia formal contra 25 indivíduos, acusados de uma série de delitos graves, incluindo extorsão, invasão de terras, tortura, homicídios e causar danos ambientais bilionários. Os fatos ocorreram na região de Nova Mutum Paraná, distrito de Porto Velho, e os suspeitos foram presos em novembro de 2025 durante a Operação Godos.
Modus operandi do grupo criminoso e violência contra moradores
De acordo com as investigações do MP-RO, os acusados integravam uma organização criminosa armada que atuava de forma sistemática na área. O grupo obrigava moradores locais a entregar parte de suas terras, utilizando armas de uso restrito para coagir as vítimas. Para mascarar as ações ilegais, os criminosos simulavam contratos legais de venda ou cessão, mas tudo era realizado de maneira forçada.
Quem se recusava a obedecer sofria retaliações severas, como:
- Ameaças de morte e agressões físicas
- Destruição de bens pessoais e propriedades
- Roubo de máquinas, animais e melhorias nas terras
Lavagem de dinheiro e danos ambientais catastróficos
As terras obtidas ilegalmente eram posteriormente vendidas para terceiros, e os recursos financeiros eram lavados por meio de diversas estratégias, incluindo o uso de laranjas, empresas de fachada e compra de imóveis. Além disso, os valores eram transferidos entre múltiplas contas bancárias para dificultar o rastreamento pelas autoridades.
O MP-RO destacou que os suspeitos desmataram uma área impressionante de 25 mil hectares, equivalente a cerca de 35 mil campos de futebol oficiais. Os danos materiais, ambientais e climáticos decorrentes dessas ações somam mais de R$ 2 bilhões.
Movimentações financeiras e pedidos de indenização
Entre os anos de 2020 e 2025, os investigados movimentaram mais de R$ 110 milhões em suas contas bancárias, por meio de depósitos, transferências recebidas e outras formas de entrada de recursos. A denúncia aponta que os acusados devem responder por crimes como:
- Formação de organização criminosa armada
- Extorsão qualificada e roubo
- Dano qualificado e incêndio
- Crimes ambientais relacionados à destruição de floresta e exploração ilegal de recursos naturais
O Ministério Público solicitou que os acusados sejam condenados a pagar mais de R$ 1,95 bilhão em indenizações, distribuídas da seguinte forma:
- R$ 1,8 bilhão por danos ambientais
- R$ 51 milhões por danos materiais
- R$ 10 milhões por danos morais coletivos
Andamento processual e gravidade dos crimes
A denúncia foi recebida pela 3ª Vara Criminal de Porto Velho, que agora dará início à fase judicial. Os acusados serão citados para apresentar defesa, e o processo seguirá para julgamento posteriormente. O MP-RO enfatizou que parte dos crimes envolveu adolescentes e que havia ligação com outras organizações criminosas, reforçando a gravidade da atuação do grupo.
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) informou que ainda apresentará denúncias contra investigados que estão soltos ou foragidos, em processos separados, para não atrasar o andamento das ações contra os presos.