MP do Rio cumpre 20 mandados de prisão contra policiais acusados de serem capangas de bicheiro
MP prende policiais acusados de serem capangas de bicheiro no Rio

Operação do MP do Rio prende policiais acusados de atuar como segurança de bicheiro em Bangu

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) está cumprindo, nesta terça-feira, 10 de março de 2026, um total de 20 mandados de prisão preventiva. A ação tem como alvo principal o contraventor Rogério de Andrade, sobrinho de Castor de Andrade e figura proeminente na nova cúpula do jogo do bicho no estado, além de integrantes de seu suposto núcleo de segurança na região de Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Policiais militares e penais entre os alvos da operação

Entre os indivíduos visados pelos mandados, destacam-se 18 policiais militares e penais, além de um policial civil inativo, que teria sido cooptado ainda quando estava em exercício do cargo. A operação conta com o apoio essencial da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), da Corregedoria-Geral da Polícia Militar, da Corregedoria da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária e da Corregedoria da Polícia Civil, demonstrando um esforço conjunto das instituições.

Os mandados estão sendo executados em diversos endereços localizados nas cidades do Rio de Janeiro, Belford Roxo, Duque de Caxias, Mangaratiba, Nilópolis e São João de Meriti. Adicionalmente, uma ação ocorre na Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, onde Rogério de Andrade atualmente se encontra preso, indicando a abrangência e complexidade da investigação.

Acusações de corrupção e organização criminosa armada

As investigações conduzidas pelo Ministério Público apontam que os denunciados atuavam na segurança de pontos de exploração ilegal de jogos de azar na região de Bangu. Eles são acusados de praticar atos de corrupção ativa e passiva com o objetivo claro de garantir a livre atuação do grupo criminoso, facilitando suas atividades ilícitas.

Os indivíduos presos nesta operação poderão responder por crimes graves, incluindo a constituição de organização criminosa armada, com agravante pelo concurso de funcionários públicos e pela conexão com outras organizações criminosas. Essas acusações refletem a seriedade das alegações e o impacto potencial dessas ações na segurança pública e na integridade das instituições policiais.

Contexto e operações anteriores relacionadas ao caso

Esta não é a primeira ação do MPRJ contra elementos ligados à segurança de Rogério de Andrade. Em janeiro de 2026, dois policiais militares aposentados, identificados como Marcos Antonio de Oliveira Machado (Machado) e Carlos André Carneiro de Souza (Carneiro), foram presos por atuarem na segurança armada do bicheiro. Eles eram responsáveis pela proteção de pontos de exploração de máquinas caça-níqueis e outras atividades ilícitas.

Naquela ocasião, o Ministério Público também expediu um novo mandado de prisão contra Rogério de Andrade, evidenciando a continuidade e a determinação das autoridades em combater o crime organizado e a infiltração em órgãos públicos. A operação atual representa um passo significativo nessa luta, visando desmantelar estruturas criminosas que se aproveitam de agentes públicos para perpetuar suas atividades.

A situação destaca os desafios persistentes no combate ao crime organizado no Rio de Janeiro, especialmente quando há envolvimento de policiais, o que mina a confiança pública e a eficácia das instituições de segurança. As investigações continuam em andamento, com expectativa de mais desdobramentos à medida que os fatos forem apurados e os responsáveis levados à Justiça.