Imagens de câmeras de segurança, obtidas com exclusividade pela TV Verdes Mares, revelam o diálogo entre os irmãos envolvidos no ataque brutal que decepou as mãos de Ana Clara de Oliveira, de 21 anos, em Quixeramobim, no Ceará. O crime ocorreu na última sexta-feira (1º), após uma discussão entre a vítima e seu namorado, Ronivaldo Rocha, de 40 anos.
Nas gravações, Ronivaldo é visto autorizando o irmão mais novo, Evangelista Rocha, de 34 anos, a atacar a jovem. 'Pode matar', diz Ronivaldo, enquanto Evangelista pula o muro da residência de Ana Clara, no bairro Conjunto Esperança. A ação criminosa durou cerca de seis minutos e foi registrada por câmeras de segurança da rua.
Detalhes do crime
As imagens mostram a sequência de eventos: por volta da 00h33, o casal briga na rua, com Ana Clara dizendo que Ronivaldo não ficaria na casa dela, enquanto ele a chama de 'ladrona'. Quatro minutos depois, Ronivaldo corre atrás da mulher, gritando ameaças. Às 00h57, os irmãos retornam em uma caminhonete. Evangelista escala o muro e, após discussão, Ronivaldo ordena: 'Pode matar ela, pode matar'. Em seguida, ouvem-se pancadas e gritos.
Após o ataque, Evangelista sai de casa com a foice usada no crime. Ronivaldo pergunta: 'Tu matou? Acabou com nossa vida'. Evangelista responde: 'Já era, foi tu quem mandou'. Eles fogem do local.
Prisão e antecedentes
Evangelista foi preso na manhã de sexta-feira em Quixeramobim, e Ronivaldo foi localizado em Madalena, a 63 km do crime. Ambos estão presos preventivamente por tentativa de feminicídio. Ronivaldo já tinha antecedentes por lesão corporal, ameaça, agiotagem e porte ilegal de arma. O relacionamento dos dois durava cerca de dois anos e era marcado por violência doméstica.
Estado de saúde da vítima
Ana Clara teve uma mão amputada e outra semi-amputada, além de cortes profundos no ombro, perna e cotovelo. Socorrida inicialmente na UPA de Quixeramobim, foi transferida para o Hospital Regional do Sertão Central e depois para o Instituto Dr. José Frota (IJF), em Fortaleza. No sábado (2), passou por uma cirurgia de reimplante de 12 horas, considerada bem-sucedida. Ela está na UTI, sem aparelhos, e já reconheceu a família, mas ainda não fala.
O governador do Ceará, Elmano de Freitas, classificou o crime como 'bárbaro' e parabenizou a polícia pela rapidez nas prisões.



