Escrivã que prendeu assassino do pai 25 anos depois vira livro no Rio
Escrivã que prendeu assassino do pai vira livro

História de policial que prendeu assassino do pai vira livro e emociona

A emocionante trajetória da escrivã da Polícia Civil de Roraima Gislayne Silva de Deus, que conseguiu prender o assassino de seu pai 25 anos após o crime, em Boa Vista, foi transformada em livro. A obra intitulada “Voz de prisão” teve seu lançamento na noite desta segunda-feira (4), no Rio de Janeiro, e já está disponível ao público.

O livro foi escrito pela renomada escritora e roteirista Luciana de Gnone, conhecida por seus romances policiais repletos de suspense e mistério, sempre com protagonistas femininas fortes. A publicação é da editora Mapa Lab. Durante a produção, Luciana viajou até Roraima em 2025 e passou uma semana inteira ao lado de Gislayne, conhecendo cada detalhe da história e visitando os locais onde os eventos ocorreram.

“Está sendo muito emocionante. Hoje eu peguei o livro em mãos pela primeira vez e não teve como conter as lágrimas, porque é uma história de justiça, que demorou muito tempo para ter um encerramento feliz, apesar de como surgiu”, declarou Gislayne em entrevista ao g1.

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Detalhes da obra e adaptação audiovisual

A autora demonstrou uma sensibilidade enorme com cada detalhe, inclusive nas partes ficcionais, já que o livro é um romance baseado em fatos reais. Gislayne elogiou a dedicação de Luciana: “Ela conseguiu pegar muitos detalhes corriqueiros e colocou alguns no livro, isso me deixou muito emocionada também.”

A trama se passa em 1999, ano do crime real, e acompanha Helena, uma menina de 9 anos que perde o pai assassinado. Já adulta, ela investiga o caso ao lado da agente Ana Lice, enfrentando traumas e a lentidão da Justiça. Além do livro, a história deve ganhar uma versão audiovisual, com a atriz global Carol Castro no papel principal.

O crime que marcou a infância de Gislayne

O crime aconteceu em 16 de fevereiro de 1999, quando Gislayne tinha apenas 9 anos. Seu pai, Givaldo José Vicente de Deus, de 35 anos, foi morto com um tiro em um bar no bairro Asa Branca, zona Oeste de Boa Vista, após uma discussão por uma dívida de R$ 150 com Raimundo Alves Gomes. O agressor ainda levou a vítima ao hospital, mas fugiu em seguida. Gislayne e suas quatro irmãs ficaram órfãs de pai.

Raimundo Alves Gomes só foi condenado pelo crime 14 anos depois, em 2013, pelo Tribunal do Júri, a 12 anos de prisão por homicídio. No entanto, ele não ficou preso e ficou foragido desde 2016.

A trajetória de Gislayne até a prisão

Aos 18 anos, em 2007, Gislayne começou a cursar direito em uma faculdade particular e, sete anos depois, tornou-se advogada. Embora não planejasse seguir a carreira policial, acabou prestando concurso e foi aprovada. Em 2022, ingressou na polícia penal de Roraima, atuando na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo e no Departamento do Sistema Prisional (Desipe), inclusive durante a gravidez. Ela conta que, ao trabalhar em uma unidade prisional, imaginava ver o assassino do pai preso.

Um ano depois, foi aprovada no concurso da Polícia Civil e assumiu como escrivã em 19 de julho de 2024. Ao ingressar na corporação, fez um pedido específico: ser lotada na Delegacia Geral de Homicídios (DGH). Acreditava que, por meio da unidade, poderia encontrar o autor do crime. No departamento, reuniu informações sobre o paradeiro do homem e localizou o último mandado de prisão, expedido em 2019 pela Justiça de Roraima.

A prisão ocorreu em 25 de setembro de 2024, em uma área de chácaras no bairro Nova Cidade, zona Oeste de Boa Vista. Raimundo Alves Gomes, então com 60 anos, foi preso e finalmente a justiça foi feita.

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